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Passatempos


entretanto


Mais uma leitura escolhida ao acaso dá origem ao passatempo deste mês. José Cardoso Pires, outra vez. O autor publicou, em 1988, um conjunto de sete contos a que deu o título A República dos Corvos, que é também o título do primeiro conto. Todas as histórias relacionam seres humanos e animais, como se fossem fábulas. São de leitura difícil, pois exigem de nós, leitores, uma constante construção de associações para compreendermos a crítica mordaz do autor.

O desafio que propomos é identificar o conto a que pertence cada excerto.


Identifique o título do conto a que se refere o excerto

Para cada excerto selecione na caixa de opções o título que lhe parecer correto. No fim clique em VERIFICAR. Os títulos corretos transformam-se em definitivos, os incorretos mantêm a caixa de opções aberta para poderem ser alterados.


Na taberna, alguns bebedores mais vivaços tentam meter conversa com ele. Começam por lhe perguntar o nome, é o costume, e acabam por lhe chamar Vicente, outra parvoíce.

«Vicente?» pergunta um dia um dia um fulano a fazer-se surpreendido. «Se calhar ainda pertence à família dos que andavam atrás do santo, ou é confusão minha?»




[…] como Juiz de longa carreira ao serviço de da Verdade, propunha que o Cirurgião se interrogasse sobre as estranhas criaturas do pôr do sol porque decerto não perdia nada com isso; que não as pusesse de parte como um simples divertissement (sic) queria ele dizer; nem como uma alucinação, longe disso; que, por simples método de análise, aquilo que designara há pouco por «estranhos vultos alados» fosse classificado provisoriamente como AVNIS, «animais volantes não identificados», enquanto não dispusessem de novos dados de identificação. De acordo?




Por tudo isso, por ser tão reservado, é que pouco ou nada se conhece do passado de Franzisko Kapa, e quanto aos anos de servidão nas minas de Alvor o que se recorda dele é que de vez em quando rolava os olhos como um visionário que relembra mundos inconfessáveis. Nesta sua metamorfose de criatura apátrida e sem família circulava de dia pelos labirintos subterrâneos que ia escavando incansavelmente e à noite fechava-se em casa a desenhar insetos e a beber aguardente de medronho.




[…] e pelas contas do meu amigo, aí no segundo ano de casado, o nosso sargento foi chamado para a guerra de África que nessa altura, 71-72, andava assanhadíssima. Recebeu a notícia na vertical, […] e foi dar a sua mãozinha à pátria ameaçada, prometendo à menina esposa que não tardaria muito estava de regresso. Para que ela ficasse mais sossegada deixou-lhe um canzarrão do tamanho de um burro, um lobo-d’ alsácia de raça atravessada que, além de desconfiado, era um manual de fidelidades a toda a prova.




Estes cães, seja dito de passagem, comportavam-se com o mesmo apagamento solitário e com a mesma precisão de instintos dos donos. Mais do que cães de cego eram cães secretários, tal a identificação que tinham com os amos, e ostentavam na coleira o correspondente cartão de congressistas,

Prof. T. Mikkelsen – Dinamarca
Prof. Irving – USA
Dr. Ion Sturdza – Transilvânia
Rev. Aquino – Filipinas
Mestre Feliciano Castilho – Portugal
Sir John, Hon. D. Litt. – Inglaterra
Prof.ª Zikhova – Bulgária
Etcétera,

todos eles, rafeiros ou puros-sangues, pastores ou burgueses, irmanados por uma missão superior. […]




Entretanto o Mestre, pata arrastada, monco pendido, avançava assustadoramente pelos desastres dos anos […]. Nunca alguém lhe diria que há muito tinha perdido o traço humano e que já projetava para longe uma sombra de monstro de solidão, dorso ondulante, a errar por paisagens crepusculares de cinza e metal.




[…] Eram além disso animais de muita memória e de muitas vozes, pois tanto reproduziam com perfeição o silvo da cobra, como o miar do gato selvagem ou o ciciar do leopardo no cio, chegando a imitar a frase humana com apreciável fidelidade. Com isto, o azougueiro não só semeava frequentemente a desorientação na fauna da selva como podia levar ao engano o caçador menos experimentado, atraindo-o a emboscadas. Era indiscutivelmente um pássaro terrorista, concluíram os entendidos. «como é que este bicho lhe veio parar às mãos, pode saber-se?», perguntaram eles ao Contabilista Industrial.






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