Esta personagem principal de Saramago chama-se Salomão e, em determinada altura da sua vida, usa uma capa bordada a pedrarias. A sua história é uma espécie de missão diplomática: Salomão é enviado pelo rei de Portugal, D. João III, para a Áustria, para demonstrar que a terra portuguesa se expandiu para territórios exóticos.
De que romance se trata?
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Ia o elefante no seu passo medido, sem pressa, o passo de quem sabe que para chegar nem sempre é preciso correr. De súbito, uma menina de uns cinco anos, soube-se mais tarde que era esta a sua idade, assistindo com os pais à passagem do cortejo, desprendeu-se da mão da mãe, e correu para o elefante. Um grito de susto saiu da garganta de quantos de aperceberam da tragédia que se preparava, as patas do animal derrubando e calcando o pobre corpinho, o regresso do arquiduque assinalado por uma desgraça, um luto, uma terrível mancha de sangue no brasão das armas da cidade. Era não conhecer salomão. Enlaçou com a tromba o corpo da menina como se a abraçasse e levantou-a no ar como uma nova bandeira, a de uma vida salva no último instante, quando já se perdia. Os pais da menina, chorando, correram para salomão e receberam nos braços a filha recuperada, ressuscitada, enquanto toda a gente aplaudia, não poucos desfazendo-se em lágrimas de incontida emoção, alguns dizendo que aquilo havia sido um milagre, e mais não sabiam daquele que salomão tinha cometido em pádua, ajoelhando-se à porta da basílica de santo antónio.
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José Saramago, A Viagem do Elefante, José Saramago e Editorial Caminho SA, 2008, páginas [253-254]