Clique sobre o número, leia a indicação e escreva a resposta na caixa de texto apresentada. Acentos, tiles e cedilhas são obrigatórios. Se necessário, clique sobre a "Dica" para ajuda (são apresentadas sucessivamente as letras da resposta).
José Saramago, Que farei com este livro?
(excerto)
ANA DE SÁ
Senhor Diogo do Couto, eu não sei ler. Luís Vaz trouxe aí muitos papéis…
DIOGO DO COUTO
Papéis ilustres, que os conheço.
ANA DE SÁ
Aí se senta os dias a corrigir, a ler em voz alta. Muito do que diz não sei entender, é tudo um falar de deuses e deusas, nomes de terras e mares desconhecidos, prodígios, coisas nunca vistas, quem, neste bairro da Mouraria, seria capaz de imaginar o mundo assim?
DIOGO DO COUTO
O mundo tem ainda muito mais que ver e admirar.
ANA DE SÁ
Há dias pedi-lhe que lesse uma passagem mais clara, que pudesse chegar melhor ao meu entendimento, e ele pôs-se a olhar para mim com um ar muito grave, e depois de procurar leu-me a fala do velho que esteve na partida das naus para a Índia. Estais lembrado?
DIOGO DO COUTO
Como do meu próprio nome. Ó glória de mandar, ó vã cobiça dessa vaidade a quem chamamos fama…
ANA DE SÁ
Esses versos escreveu-os Luís Vaz na Índia, não foi?
DIOGO DO COUTO
Decerto.
ANA DE SÁ
Então, quando vós dizeis que a Índia será uma doença de Portugal, estais declarando doutro modo aquilo que meu filho disse nas oitavas que me leu. É assim que eu entendo.