Cardus Edição 95, março 2021
Recordo-me perfeitamente, em 1961, em Nova Lisboa (atual Huambo), Angola, dentro de um carro, ouvir a pessoa que conduzia dizer ao amigo ou familiar que ia ao lado — perdemos a Índia! A frase deve ter sido dita com alguma emoção pois ficou registada na minha memória até aos dias de hoje.
Efetivamente, até aquele ano, existiu o Estado da Índia, nessa altura já reduzido a três pequenos espaços geográficos (Goa, Damão e Diu) inseridos na vastidão do território indiano. O Estado da Índia durou à volta de 450 anos, sempre com uma geografia variável e dispersa. Ao que leio, os primeiros 150 anos foram de grande expansão, a partir daqui o território foi declinando em poder político e económico.
Esta série de selos foi emitida em 1948 e levou o título de “Vultos da Índia”. Os valores dos selos aparecem em Reis e Tangas, as moedas da altura, com uma Tanga a valer sessenta Reis. Como se depreende do título a série retrata figuras relevantes da Índia Portuguesa, vamos então ver quem são e o que fizeram:
João de Castro (3 Rs)
Fidalgo da casa do rei D. Manuel I, D. João de Castro nasceu no ano de 1500 e morreu em 1548.
Estudou Letras, por vontade do pai, mas preferiu depois enveredar pela carreira militar. Em 1535, acompanhou a expedição de Carlos V destinada à conquista de Tunes. Em 1538, partiu para a Índia na armada do vice-rei D. Garcia de Noronha. Nesta viagem escreveu o primeiro dos seus três célebres roteiros.
O primeiro roteiro evidencia os invulgares conhecimentos cosmográficos do autor. O segundo roteiro da costa da Índia foi elaborado na expedição feita pelo vice-rei a Diu. O último foi elaborado em 1541, na viagem do governador D. Estêvão da Gama, de Goa a Suez. A obra de D. João de Castro encerra descrições pormenorizadas das terras por onde viajou. Pela sua precisão, os roteiros tornaram-se o melhor guia da época para a navegação no Mar Vermelho.
Em recompensa dos seus serviços, D. João de Castro recebeu do monarca altas honras. A maior de todas consistiu em nomeá-lo para o cargo de vice-rei da Índia. Porém, desempenhou a função por muito pouco tempo, pois faleceu três semanas depois da nomeação.
In Infopédia
Francisco Xavier (1 Tg)
São Francisco Xavier, jesuíta e apóstolo do Oriente, nasceu a 7 de abril de 1506, no castelo de Xavier, em Navarra, e morreu a 3 de dezembro de 1552. Homem religioso, é chamado o "apóstolo das Índias". Teve papel de grande relevo na missionação na Ásia.
Na juventude, conviveu com Santo Inácio de Loyola. Frequentou a Universidade de Paris e tornou-se mestre em Artes, lecionando mais tarde no Colégio de Beauvais. Depois, estudou Teologia e partiu para Veneza, onde foi ordenado sacerdote a 24 de junho de 1537.
Vindo depois para Lisboa, porque o rei D. João III pedira o envio de jesuítas, São Francisco Xavier embarcou para a Índia com Francisco de Mansilha e Paulo Comarte, em 1541.
Além da Índia, a sua ação missionária teve lugar no Japão, onde permaneceu durante cerca de dois anos e meio. Ao mesmo tempo, São Francisco Xavier lançava as bases de uma estrutura missionária, composta por elementos da Companhia de Jesus, que se espalhou por todo o continente asiático. Para tal, contou com o apoio material da Coroa portuguesa, que dominava as rotas da Europa para o Oriente.
Morreu na China, quando se preparava para cristianizar esse vasto território. Foi canonizado em 1622.
In Infopédia
Luís de Ataíde (2 ½ Tg)
Décimo Vice-Rei da Índia Portuguesa. Em 1538 seguiu para a Índia e, em 1540, foi armado cavaleiro no Monte Sinai. De regresso ao reino, foi como embaixador para a Alemanha, onde combateu os luteranos ao lado do imperador. Vice-Rei da Índia em 1568, teve de enfrentar a conjura geral dos potentados do oriente. Refez a armada, socorreu as fortalezas, tomou Onor e Bracela, e, apenas com 700 portugueses e 1500 nativos, defendeu Goa dos 100.000 homens e 1000 elefantes do Idalcão, obrigando este a levantar o cerco. Em 1577, com o título de conde de Atouguia, foi enviado segunda vez para Vice-Rei da Índia.
In Enciclopédia Verbo Luso-Brasileira de Cultura (vol. 3)
José Vaz (1 ½ Tg)
José Vaz nasceu em Goa (1651) e morreu no Sri Lanka (1711). Padre católico dedicou-se a combater o Calvinismo principalmente na ilha de Ceilão, na época, colónia holandesa.
José Vaz foi beatificado pelo Papa João Paulo II em 21 de janeiro de 1995 e canonizado pelo Papa Francisco em 14 de janeiro de 2015.
Fonte: wikipedia
Duarte Pacheco Pereira (7 ½ Tg)
Existe uma teoria que diz que Duarte Pacheco Pereira esteve no Brasil antes de Pedro Álvares Cabral numa ação de reconhecimento secreta prévia ao Tratado de Tordesilhas. Certo é que fazia parte da delegação portuguesa que negociou este tratado.
No que toca à Índia, Duarte Pacheco Pereira, comandou a nau Espírito Santo que se dirigiu para a Índia em 1503, integrada na esquadra de Afonso de Albuquerque. Andou por lá dois anos, foi Capitão-General da Armada de Calecute e Vice-Rei e Governador do Malabar. Regressou a Portugal dois anos depois tendo sido recebido como um herói.
Para além de navegador e militar, Duarte Pacheco Pereira era um famoso Geógrafo e Cosmógrafo. Leio na Wikipédia que “com a antecipação de mais de dois séculos, o cosmógrafo foi o responsável pelo cálculo do valor do grau de meridiano com uma margem de erro de apenas 4%”. Publicou uma obra de cosmografia e marinharia denominada “Esmeraldo de Situ Orbis” com as coordenadas geográficas de latitude e longitude de todos os portos conhecidos no seu tempo.
Fonte: wikipedia