Cardus Edição 91, novembro 2020

Selos

Camaleões

Este conjunto de selos foi emitido pelos correios da Roménia em 1 de outubro passado. Apresentam figuras de camaleões e foram desenhados por George Ursachi.

O camaleão é um animal que desde criança me mete uma certa impressão. Os movimentos lentos, a língua comprida, o aspeto da pele, fazem com que os veja como pequenos monstros. Sou incapaz de lhes tocar. Conheço-os dos tempos de criança em África onde era possível vê-los nos ramos das árvores. Dizia-se que assumiam a cor do meio envolvente, uma das brincadeiras de criança era mudar o camaleão de poiso (outro que não eu) e ver a pele paulatinamente a passar para um tom mais adequado ao novo lugar. Havia aqui alguma vontade em crer, pois a maior parte das vezes não ficava muito convencido com a dita mudança. Uma pessoa muito próxima, pelo contrário, adorava camaleões, brincava com eles em criança, punha-os a subir pelo braço acima, até me arrepio só de pensar nisso.

Uma olhadela na Wikipédia diz-me que o camaleão é uma das famílias mais conhecidas de lagartos, distribuídos pela África, sul da Europa e da Ásia, o que quer dizer que deve haver camaleões no Algarve. Lá está a capacidade de mudarem de cor e, novidade para mim, os seus olhos funcionam independentemente um do outro, o que lhes dá uma visão de 360º sobre as coisas. É um animal solitário, agressivo para os membros da mesma espécie, mesmo para as fêmeas, com as quais só se encontra para o acasalamento. O camaleão já foi apanhado pelo mercado dos animais exóticos, é possível comprar um, pô-lo numa gaiola, alimentá-lo, e tê-lo como animal de companhia por períodos que podem durar até dez anos. Se o camaleão gosta da companhia que o prende por prazer, é coisa que não sabemos, a comunicação homem – camaleão ainda não foi descodificada.

À falta de camaleões da terra, os correios da Roménia acharam por bem ir buscar um à península arábica, outro a Madagáscar (duas imagens) e o último ao continente africano.

Vamos então conhecer estes três camaleões, agora com a ajuda da nota informativa da emissão.

O Camaleão do Iémen (Chamaeleo calyptatrus) é o primeiro da esquerda. É um camaleão, digamos, comprido, pois o seu comprimento vai dos 43 aos 61 cm; isto para os machos, as fêmeas não ultrapassamos 35 cm, mesmo assim muito grande face aos tamanhos a que estou habituado. Têm uma esperança de vida entre os cinco e oito anos, mas com a idade de 5 meses já estão sexualmente maduros, uma precocidade de nos fazer inveja. As fêmeas põem até 85 ovos várias vezes ao ano, que são chocados na areia. Os ovos entram em diapausa, os camaleõezinhos só nascem em condições específicas de temperatura.

O Camaleão pantera (Furcifer pardalis) está no selo superior e no da direita. É o tal que vive em Madagáscar e algumas ilhas vizinhas. É o que tem as cores mais vivas que podem mudar rapidamente de azul claro a verde escuro. Não é tão grande quanto o do Iémen, anda pelos 20 cm de comprimento, não contando com a língua e a cauda que são enormes. A cauda está normalmente enrolada em espiral, não é apenas decorativa, serve para o camaleão se segurar e não cair das árvores abaixo.

Finalmente temos o camaleão dos três cornos (Trioceros jacksonii), o do selo inferior. Tem este nome por ter dois cornos por cima dos olhos e um por cima do nariz; isto nos machos, porque as fêmeas, como se poderia esperar, não possuem estes ornamentos. Vive na África central principalmente nas florestas do Quénia e norte da Tanzânia. Como todos os outros camaleões é pachorrento, passa a vida tranquilo nos ramos das árvores, dissimulado entre as folhas, esperando pacientemente por algum inseto que se distraia e entre na sua zona de tiro, isto é, alcançável pela sua língua rápida e letal.

Com esta conversa toda criei uma certa simpatia pelos camaleões, talvez mais pelas figuras do que pelos animais.