Cardus Edição 90, 16-10-2020
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Este conjunto de selos foi emitido pelos correios da Eslovénia em 25 do mês passado. O tema é o ambiente e as agressões de que todos os dias é alvo. Os desenhos são de Zlatko DrĨar.
É um dado adquirido que o planeta vai deixar de ser o que é, se não alterarmos os hábitos a que a sociedade de consumo nos conduziu. Consumimos muito, dizem que é bom para a economia e para o emprego, o problema é o que fazemos com os produtos quando já não precisamos deles ou com o que fica depois de os usarmos.
O tema aqui não são os grandes poluidores, mas os pequenos, cujas agressões ao ambiente passam a ter um grande impacto quando realizadas por muitos. Com a ajuda desta emissão da Eslovénia, onde pelos vistos existem preocupações com o planeta, vamos então rever os hábitos que temos de mudar, ou sensibilizar para a mudança, dos pequenos poluidores que todos somos.
Comecemos pela pastilha elástica e principalmente com o que sobra dela depois de lhe sugarmos o açúcar e outros ingredientes de benefícios duvidosos para a saúde. Para onde vai o resíduo? Normalmente para o chão, quando estamos na rua, ou para as costas da cadeira quando estamos sentados. Já alguém experimentou caminhar sobre um chão de pastilhas elásticas?
Passemos aos grafitis, aquelas pinturas magníficas que aparecem nas fachadas dos prédios, passagens subterrâneas, paredes e até comboios. O ambiente não é só a natureza e o planeta. É também o visual. Alguém gosta de olhar para uma parede vandalizada por um grafiter?
E vamos agora à parte mais descontraída das beatas a saltarem das janelas dos carros. Aqui, além do resíduo que leva mais de dez anos a decompor-se, há ainda o perigo de sermos atingido por elas, para não falar dos incêndios que provocam. Quantas beatas produzimos por dia? Em Portugal são cerca de 7000 por minuto. O problema do ambiente não é o um ou dois. São os milhares que dão cabo dele.
E agora aquele pinhal bonito que tem a meio uma máquina de lavar e outros eletrodomésticos que alguém abandonou quando deixaram de funcionar. E os resíduos de obras, os colchões, os pneus e os sofás que sobraram depois de se comprarem os novos e há que colocar à beira do primeiro caminho que se encontra onde não haja ninguém a ver. Não há sítios próprios para tratar e reciclar estes produtos?
E finalmente o desperdício, até de comida, que é possível constatar nos caixotes de lixo ou ao lado deles. Há organizações que em antecipação recolhem algumas sobras, mas será que evitamos mesmo desperdiçar comida ou géneros?
Que fazer? Nada? Depende de cada um e daquilo que queremos deixar para as gerações vindouras. Vamos manter a fama de tolerantes que temos? E atirar a responsabilidade para o estado? A cidadania vê, cala-se e não se mexe?