Cardus Edição 88, 16-09-2020

Selos

Gastronomia tradicional do Mediterrâneo

Estes dois selos forma emitidos pelos CTT em 10 de julho do corrente. O tema, „Gastronomia tradicional do Mediterrâneo“, foi comum aos correios da Euro Med Postal, uma associação que agrega 23 organizações postais de países mediterrânicos. Os selos têm a curiosidade de terem cheiro, uma inovação no mundo vetusto da filatelia. Quem tiver „um bom nariz“ e também alguma vontade, consegue detetar um aroma de flor de laranjeira nos dois pedacinhos de papel. Como tudo na vida o cheiro não é eterno mas, de acordo com os CTT, mantém-se ainda durante bastante tempo.

O selo que mais me atraiu foi o do arroz doce. O prato de cerâmica, o amarelo do doce, as linhas de canela e a florzinha em cima, alegram a vista de qualquer mortal e estimulam o apetite que, pelo menos por mim, começa pelos olhos. O do licor de laranja é mais para quem gosta de líquidos, no meu particular dos sabores, as bebidas têm um lugar muito secundário.

Na pagela desta emissão aprende-se muito sobre a laranja, um citrino que em Portugal teve um grande desenvolvimento particularmente no sul Algarvio. Foi aqui que foi criada a laranja „doce“ pois todas as variedades que existiam até então eram amargas, nomeadamente a mais direta concorrente a „laranja de Sevilha“. A laranja portuguesa tornou-se tão famosa que em muitos países são designadas por adaptações da palavra Portugal tais como porthegal (Irão), portokol (Turquia), portocal (Roménia) e portokolio (Grécia).

Voltando ao arroz doce, o prato a que o selo se refere têm o nome de «Arroz doce à Estoiense», uma receita que persiste em Estói, a conhecida vila do Algarve. Está decorado como uma flor de laranjeira, fica a dúvida se esta também integra o doce. O que conheço leva apenas uma pequena casca de limão.

O licor de laranja, nunca provei, mas fiquei a saber que Portugal juntamente com a França foram grandes exportadores deste produto no século XVIII.

Como resultado desta emissão filatélica, fundamentalmente pelo arroz doce, lá vou ter de ir um dia a Estói. Lá mais para o inverno, quando o Algarve está muito mais sossegado e calmo. E então, resolver de vez esta dúvida existencial que se me levantou e que até agora ninguém me resolveu: temos laranja, ou não, no „arroz doce à estoiense“?