Cardus Edição 76, 15-03-2020
Este selo foi emitido em 10 de fevereiro deste ano pelos correios franceses. Foi desenhado e ilustrado por Laurent Mathilde e reproduz um quadro de Marie-Guillemine Benoist com o título “Portrait de Madeleine”. O quadro está atualmente exposto no museu Orsay por empréstimo do Louvre, integrado numa exposição a que foi dado o nome de “Le Modèle noir, de Géricault à Matisse”.
Quando o quadro foi pintado, a escravatura tinha sido abolida seis anos antes. Madeleine, sabe-se hoje, era escrava libertada, natural de Guadalupe e servia em casa do cunhado de quem a pintou. Na altura o quadro deve ter chocado a sociedade francesa, pois não era habitual ver-se uma mulher negra com uma postura desinibida, sentada numa poltrona, envolta em tecidos finos e olhando de frente para o espetador.
Pintar pele branca ou preta não deve ser fácil. Os tons, as manchas, o mais claro e o mais escuro, os pelos fininhos, deve exigir muito conhecimento, técnica e prática do pintor. Mesmo no selo já é possível apercebermo-nos do realismo da pintura da pele de Madeleine. Em frente ao original esse realismo deve ser naturalmente mais evidente.
Não se sabe as razões porque Marie-Guillemine Benoist pintou Madeleine, a serva do seu cunhado, se por razões comerciais, políticas ou outras quaisquer. Também não interessa. O importante é confirmar que a beleza não tem cor.