Cardus Edição 104, dezembro 2021



SELOS, essa coisa admirável!







5 séculos da PRESENÇA PORTUGUESA NOS mares austrais


Estes dois selos foram emitidos pelos CTT de Portugal em onze de outubro do corrente. Trata-se duma emissão comemorativa dos 500 anos da presença portuguesa nos mares do Sul e da evocação de João da Nova.

Quem foi João da Nova? A pagela informativa da emissão diz-nos que foi um fidalgo galego que, ao serviço da coroa portuguesa, navegou para oriente seguindo a rota de Vasco da Gama por duas vezes, em 1501 e 1505, vindo a falecer pouco depois da batalha de Ormuz, em 1509, contando 49 anos.

Ainda segundo a pagela, foi um bravo oficial e marinheiro que nunca se deu muito bem com Afonso de Albuquerque. Descobriu as ilhas de Ascensão e Santa Helena e tem uma ilha com o seu nome no canal de Moçambique. Curiosamente, esta ilha desabitada é administrada pela França através do departamento “Terras Austrais e Antárticas Francesas” responsável por uma série de ilhas dispersas pelo Atlântico Sul.

Até aqui é tudo história narrativa, onde é que aparece a parte interessante? Pois bem, João da Nova, quando navegava para a India parou na atual Mossel Bay, como era habitual na carreira da India, dado que era um local privilegiado para reabastecimento de água e produtos frescos. Aqui fez uma grande descoberta: nada mais nada menos do que uma bota pendurada numa árvore em cujo interior se encontrava o relatório da viagem de Bartolomeu de Dias à India, principalmente do regresso, onde uma grande tempestade quase que ia desfazendo a armada. O relatório tinha sido lá deixado, intencionalmente, por Pedro D’ Ataíde com o propósito de passar a informação à carreira da Índia seguinte.

A partir desta data a árvore passou a ser usada regularmente para este serviço de informações tornando-se o primeiro marco postal da história da navegação marítima.

A parte interessante ainda não acabou. A árvore ainda existe e, junto a ela, encontra-se um marco de correio com a forma de uma bota gigante, onde ainda hoje é possível depositar cartas. A árvore designa-se por “Post Office Tree” que é também o nome carimbado em toda a correspondência que é expedida a partir de lá. Está classificada como monumento histórico nacional pela África do Sul (é considerado o primeiro serviço de comunicação postal do país), estando inserida nos jardins do Museu Bartolomeu Dias localizado na baía. Neste pequeno museu é possível encontrar muita informação sobre as viagens de Bartolomeu Dias e de outros descobridores e possui ainda uma réplica da caravela que ele utilizou.

Curiosidade final, o nome original da Mossel Bay foi Aguada de São Brás, que lhe foi dado por Bartolomeu Dias quando a encontrou.  Quando os holandeses ocuparam o local mudaram-lhe o nome para Mossel Bay, ao que parece por haver muitos mexilhões na baía. O nome que tinha antes de Aguada de São Brás não se sabe, não há registos, na história só fica aquilo que é registado. E nesta civilização da propriedade é importante registar para se ser dono.