Cardus Edição 99, julho 2021
Estamos na época dos Santos Populares e, assim sendo, vamos falar de Santo António…
Santo António nasceu em Lisboa, algures perto da Sé, poucos anos depois de a cidade ter sido conquistada por D. Afonso Henriques em 1147.
Lisboa era, nessa altura, habitada por uma variedade de povos e de religiões, um espaço de grande diversidade cultural e tolerância religiosa.
Santo António pertenceu à Ordem dos Cónegos Regulares da Santa Cruz que seguiam a Regra de Santo Agostinho, cuja sede era no Convento de São Vicente de Fora, em Lisboa. Posteriormente, terá ido para Coimbra aprofundar os seus estudos religiosos, onde contatou com os ensinamentos de São Francisco de Assis. Contrariamente aos religiosos que costumavam fixar-se em mosteiros, a regra de São Francisco, tinha por hábito a pregação itinerante junto dos mais desprotegidos, imitando a vida de Cristo e chamando todas as criaturas de irmãos. Esta postura seduziu Santo António que se tornou, então, Franciscano.
Após algumas viagens, nomeadamente por Marrocos, Santo António fixou residência em Itália tendo convivido com o próprio São Francisco de Assis. Eloquente, com uma bagagem cultural e teológica significativa, tornou-se conhecido no norte de Itália sendo nomeado mestre de Teologia em Bolonha e pregado em diversas cidades do norte da Itália e no sul de França.
Morreu em Pádua, em 1236 com menos de 40 anos e por esse motivo é, também, conhecido como Santo António de Pádua.
No Museu de Santo António, muito próximo da Sé de Lisboa, encontramos muitas outras histórias acerca deste Santo. Este espaço foi inaugurado em 2014, sendo o resultado da transformação do anterior Museu Antoniano, agora ampliado e totalmente reformulado.
Ali podemos apreciar as várias formas artísticas que assumem a devoção dos lisboetas a Santo António, muitas peças religiosas, iconografia (escultura, gravura, pintura e cerâmica), alfaias litúrgicas, livros, vestuário e diversos objetos relacionados com a vida de Santo António, bem como, o conhecido painel de azulejos - "Santo António pregando aos peixes", de meados do século XVII ou ainda, várias esculturas retratando o Santo como Frade Franciscano, com túnica, cordão à cintura e sandálias, segurando o Livro numa mão e, em muitas delas, com o Menino Jesus ao colo.
Em algumas representações do Santo António, o Menino Jesus está ao colo perto do coração e do lado esquerdo e, em outras, do lado direito… qual será a diferença?
Diz a sabedoria popular que quando o Menino Jesus está do lado esquerdo, perto do coração, estamos na presença do Santo Milagreiro. Se estiver do lado direito, representa o Santo Casamenteiro. No entanto, há quem afirme que Santo António é milagreiro em ambas as posições…
Visitar Museus faz bem à saúde!
António Acciaioli Campos