Cardus Edição 102, outubro 2021
“Uma coisa que lá fora chamam calhau, no Museu Geológico de Lisboa é uma página da história da Terra” … era uma frase que Miguel Magalhães Ramalho, diretor deste belo espaço museológico durante muitos anos, utilizava muitas vezes…
O Museu Geológico fica na Rua da Academia de Ciências de Lisboa bem perto do Príncipe Real e lá podemos ver a evolução do homem primitivo em Portugal com a sua tecnologia… São 600 milhões de anos da Terra e do nosso território.
O seu riquíssimo acervo, reúne e expõe exemplares de Paleontologia, Arqueologia e Mineralogia, nomeadamente, milhares de fósseis, rochas e minerais, colhidos ao longo de várias décadas por geólogos portugueses e estrangeiros.
E não faltam outros pequenos e grandes tesouros, tais como: um crocodilo gigante de Chelas, um hipopótamo de Condeixa-a-Velha ou, ainda, fósseis quase microscópicos das cobras mais antigas do mundo.
Em 1857 Portugal reconhece a importância do estudo da geologia e após intenso trabalho de campo, reúne um grande espólio representativo das várias eras geológicas vividas em território nacional. Poucos anos depois, fruto destes primeiros trabalhos que recolheram milhares de exemplares de fosseis, de rochas e de minerais, é elaborada a carta geológica de Portugal e, sendo o acervo tão importante é criado o Museu Geológico com o objetivo pedagógico de dar a conhecer ao grande público estes materiais.
Na sala de paleontologia, há metade de uma perna de um Megalossauros, um dinossauro que tem cerca de nove metros de altura. A coleção de fósseis é fabulosa, sendo constituída por muitas centenas de milhares de exemplares, com amostras que proveem de todas as formações portuguesas e com uma riqueza extraordinária que não se poderá repetir no futuro. Muitos exemplares são únicos quer na Europa quer no Mundo. Na sala da Mineralogia, é possível observar os minerais encontrados nas explorações mineiras que existem por todo o território nacional. A sala de arqueologia pré-histórica, dispõe de um acervo com mais de 100.000 exemplares. Miguel Magalhães Ramalho dizia que estávamos na presença da segunda melhor coleção de arqueologia pré-histórica do mundo.
Este espaço museológico é considerado pelos especialistas como o Museu dos Museus porque mantem a traça do tipo de museologia do século XIX, cada vez mais rara na Europa e facilmente identificável pela disposição das suas coleções, pelo mobiliário e pela arquitetura interior.
São muitas as razões para visitar este belíssimo Museu, pois “Visitar Museus faz bem à saúde”!
António Acciaioli Campos