Cardus Edição 100, agosto 2021
Este é um livro sobre amigos famosos que se tornaram inimigos. Mas acima de tudo, é um livro sobre a amizade. Apesar do autor nos contar os motivos que levaram onze amizades conhecidas ao seu fim, de César e Bruto até Garcia Márquez e Vargas Llosa, o motivo que o levou a escrever este livro foi um episódio que testemunhou com um amigo seu.
“A origem deste livro encontra-se num episódio anedótico de verão. Um amigo meu, frequentador das redes sociais, recebeu à minha frente um comentário desagradável, rasteiro e de gosto mais que duvidoso. Indignou-se. Com veemência, premiu uma tecla com o indicador direito e comentou: “Ponto! Já o desamiguei!”
Este desamigar apenas com um toque no telemóvel foi a pedra de toque para esta obra onde são relatadas as amizades e desamizades num tempo onde ainda não existiam teclas para isso mas sim ... cartas, por exemplo!
Claro que isto é apenas uma maneira de pôr a coisa. Ninguém fica desamigo de alguém graças a uma tecla mas podemos afastar alguém com uma tecla ou não mais seguir alguém com uma tecla. Os motivos para isso podem ser vários.
O autor prefere a palavra desvanecimento de uma amizade. E acho que todos nós já aqui estivemos, certo? Simplesmente, deixamos uma amizade ir...
Destaco as histórias da relação entre Voltaire e Frederico da Prússia e Freud e Jung. O melhor destas histórias não são os motivos que levaram ao desvanecimento das amizades mas sim o facto de ficarmos a conhecer um pouco mais cada um destes protagonistas porque o relato é feito por alguém exterior e, portanto, com um grau de distanciamento perfeito para aquilo que se pretende deixar nas mãos do leitor: a imparcialidade.