Cardus Edição 89, 01-10-2020
“Esta é uma história de portas adentro”
Sempre acreditei que as pessoas são como casas. Têm quartos e salas lá dentro e uma vida interior. Por vezes, habitamos em prédios. Num mesmo espaço mas com pessoas que não conhecemos. Esta é uma história assim. Durante oito dias, num prédio perto do mar.
“Uma história são pessoas num lugar por algum tempo.”
O que é um prédio com luzes interiores acesas durante a noite? É a vida das pessoas lá dentro. O que estarão a fazer? Com quem vivem? Na verdade, durante a noite, todos os habitantes do prédio são iguais.
Os oito dias desta história são divididos por um ano. Conta os últimos sete dias de um ano e o primeiro do ano novo.
“o prédio conta-se com quem lá está, coisas que acontecem entre um antes e um depois, uma fatia do tempo dos inquilinos.”
O prédio desta história é um organismo vivo com fios que ligam as personagens. O padre Daniel, o Bernardino e a Manuela, a Margarida, o David...
Entre o ano velho e o Ano Novo, acontece algo que afeta os dias dos moradores mas sem qualquer intenção de “moralizar” os leitores. Conseguimos ouvir as “vozes” dos moradores e do narrador. E conhecer por dentro os medos, as vontades secretas e os seus deuses internos.
Lara Nilde