Cardus Edição 102, outubro 2021
Duas histórias dentro de uma. Dois vizinhos do mesmo prédio.
Um senhor sem memória e Kevin, uma história de amor em ruínas. As personagens entram na vida uma da outra, um para ajudar e o outro para ser ajudado. Nunca se percebe qual dessas duas tarefas pertence a quem. Talvez aos dois.
“- Sabe porque não somos felizes- perguntou ele.
- Desespero, solidão, medo?
- Não. Por causa da realidade.”
O Senhor Ulme não sabe, propriamente da sua realidade porque perdeu a memória. Kevin, por outro lado tem realidade a mais e decide procurar os acontecimentos esquecidos do Senhor Ulme. Nessa busca, ouve várias personagens que outrora se cruzaram com o Senhor Ulme que mais falam sobre elas próprias do que aquilo que Kevin procura: a vida e identidade do Senhor Ulme.
Neste processo, a referência ao título aparece como um nome de família de três irmãs muito bonitas que ficaram algures no passado. Conhecer melhor o seu vizinho permite que se retire da sua vida ainda que por momentos.
As respostas que encontra são extremos: para uns, Sr. Ulme era um génio para outros, um estafermo.
Será que Kevin encontrará a resposta? Haverá uma resposta para a vida de alguém? Para sabermos quem é uma pessoa, os outros e as suas opiniões serão a melhor opção?
E é isto. É aqui que Kevin fica preso e é esta a reflexão desta obra.
Talvez sejamos um cruzamento, não das opiniões dos outros, mas das estradas que percorremos.