Cardus Edição 98, junho 2021
É uma história como outra qualquer e também começa com era uma vez…só que esta história, ao contrário de muitas, é uma história real.
Vou contá-la.
Margarida, um dia nasceu flor, num outro foi a letra de uma canção, noutro era espuma branca a surfar no vai e vem das ondinhas preguiçosas que se espraiam e rebentam no areal com o seu splash, splash musical. E, em copiosos outros dias, foi passarinho encantado como o pilrito-canela que deixa a América do Norte para visitar o Brasil, num voo longo e demorado, de lá para cá e de cá para lá, que é como quem diz, num voo a desenhar cornucópias de muitas cores pelo ar: azul mar, verde limão, rosa feliz, beringela menina e tantas, tantas mais, não fosse a cornucópia um símbolo representativo de fertilidade, riqueza e abundância, cujo significado provém da cabra Amalteia que na mitologia greco-romana amamentou Zeus/Júpiter enquanto criança.
Mas um dia, tão de repente como quando uma bolinha de sabão rebenta no ar, Margarida deixou de fazer vestidos com a luz das estrelas, deixou de baloiçar abraçada ao arco-íris, deixou de ter o sol no olhar e também deixou de ser o mar.
Margarida cresceu! Como todas as Margaridas, que podes ser tu e sou eu.