Cardus Edição 103, novembro 2021
Naquele dia de verão, já há muitos anos contados, lá fui toda eufórica para a feira das novidades. Uma feira anual pintada de fascínio. Um lugar onde o encanto explodia a cada olhar, deixando-me salpicada de estrelas que caíam pelo ar. A música, as cores, as texturas, as formas de toda aquela arte, numa dança enfeitiçada, teciam mantos de luz que me embrulhavam de alegria. Conseguiam acordar, remexer, alvoraçar e trazer à luz do dia (sempre com grande rebuliço) todas as fantasias escondidas nos mais recônditos cantinhos do meu ser.
Aquele dia foi especial. De repente tudo ao meu redor deixou de existir, o meu coração saltou-me do colo e os meus olhos fixaram-se no que tinha à minha frente: uma panóplia de magia a marejar à minha volta. Não tive dúvidas que era ali que eu ia verter o pote da minha essência. Era por ali o caminho de apaziguamento da alma. Tinha descoberto a feltragem, técnica milenar que consegue esculpir a lã e com ela construir beleza, utilidade, conforto e emoção, sempre em harmonia e numa grande amizade com o nosso Planeta.