Cardus Edição 98, junho 2021
Oxalá pudéssemos viver das fragâncias da terra
e, como uma planta aérea, sermos saciados pela luz.
Mas, já que temos de matar para comer,
então que este seja um ato de adoração.
Quando colheres as uvas, diz-lhes no teu coração:
“Também eu sou uma vinha,
os meus frutos deverão ser colhidos para o lagar
e o vinho deverá ser mantido em vasos eternos.”
E, quando trincares uma maçã, diz-lhe no teu coração:
“As tuas sementes viverão no meu corpo
e os rebentos do teu amanhã florescerão no meu coração.
O teu sangue e o meu sangue são a seiva
que alimenta a árvore do paraíso
e, juntos, exultaremos em todas as estações.”