Cardus Edição 99, julho 2021

Cardus


Quantos são?


São muitos! Quase todos de crianças que vão deixar de o ser. Que vão crescer, não só nos pés, como também na altura. E que vão conhecer o mundo como ele é, muito longe do que como o queriam ou imaginavam ou lhes disseram como era.

Que um dia vão sair e meterem-se por um caminho que não sabem onde vai parar. Que tanto pode levar a um lugar como a outro, nenhum deles ao paraíso. Que vão partir à descoberta, que vão conhecer coisas novas e esquecer as que entretanto ficaram velhas.

Que vão descobrir que existe muita vida para além da família próxima, que existem outras gentes, outros costumes, outros hábitos, outras culturas. E que as pessoas não são todas iguais, que existe a diferença, e que ninguém é melhor do que o outro. Mas, também, que há que estar atento mais a uns do que a outros, quaisquer que sejam.

Que vão conhecer o amor e o desejo. Que vão ter encontros e desencontros, gostos e desgostos. Que vão subir ao céu e também descer ao inferno.

Que vão descobrir que pouco vem ter connosco, que é preciso procurar e encontrar. Que nada cai do céu e que é preciso fazer pela vida para viver. Que muitas vezes é preciso lutar para sobreviver.

Que vão passar de filhos a pais, e de pais a avós. E que foi bom ser criança, jovem, pai e avô.

E que um dia vão descobrir que tudo passou depressa. Que tudo passou num ápice, que nada é eterno, que tudo tem um fim.