Cardus Edição 89, 01-10-2020
O centro do lugar é um grande pátio ladeado por duas fiadas de prédios. Numa das pontas localiza-se a esquadra da polícia. A envolvência do lugar é composta por instalações de organizações sociais e publicas e dois bares, um ao lado do outro, que são o centro de convívio dos residentes. O espaço está permanentemente ocupado por carros e pessoas e alguns animais como cães e pombos. Os pombos fazem ninhos por cima das portas de subir e descer pelo que, quando sobem, às vezes caem crias que ainda não aprenderam a voar e nunca mais vão aprender. À porta da sede encontra-se normalmente um carro estacionado, muito lixo e dejetos de animal.
Há sempre muito movimento no pátio, quer de carros quer de pessoas. Também muitas sentadas pelas floreiras ou nas cadeiras dos bares que vêm para o exterior. Muita gente a fumar, muita tatuagem, muitas vezes também música de algum morador que trouxe a aparelhagem para a rua para animar o pessoal e irritar quem é de outra freguesia. As conversas, nomeadamente no bar, são altas e em bom som, mesmo que os conversadores estejam ao lado um do outro. Crianças brincam também pelo espaço, quando crescerem também vão falar alto e com o vocabulário dos adultos.
Algumas floreiras até têm flores o que quer dizer que alguém trata delas. Os vasos estão cobertos de beatas, o chão cheio delas, para além dos papéis e os plásticos típicos. De tempos a tempos um morador bem-intencionado varre tudo à mangueirada, quem vem de fora deve acautelar-se para não ser varrido também.
Vive-se a diversidade neste pequeno espaço comunitário, os forasteiros não são acompanhados pelos olhares de quem está, como sucede em muitos lugares. Veem-se algumas máscaras, pouco distanciamento social, o que não deve ser necessário pois todos estão habituados a viver proximamente uns dos outros.
No bar pode-se comer uma sopa e sandes pré-elaboradas. Ainda café e uma ou outra doçaria. No fim diz-se o que se comeu e paga-se a conta. À pergunta se não consumiu um charro cada um responde como quer: no meu caso disse que não, paguei e desandei, não espero lá voltar.
É este o espetáculo de vida presenciado por quem, de vez em quando, tem de passar pela sede.