Cardus Edição 138, outubro 2024
Dados técnicos:
Data de emissão: 06.08.2024
Design: AF Atelier
Impressor: bpost Philately & Stamps Printing
O facto de os CTT terem emitido esta série filatélica, conjugado com a motivação permanente do meu colega dos museus, levou-me a visitar, mais uma vez, o Mosteiro de Alcobaça.
O mosteiro é a referência da vila, é ele que faz com que o espaço à volta esteja cheio de autocarros e que os turistas lotem, diria que na totalidade, a linha de esplanadas em frente ao mosteiro. Entre estas e o monumento existiu em tempos um tradicional jardim verde de canteiros geométricos, agora temos, em seu lugar, uma inovadora praça lisa de terra amarelada que, nos dias de vento levanta umas nuvens de poeira, pouco simpáticas para quem chega e, provavelmente, para quem lá está.
A visita começa admirando a fachada do mosteiro a partir duma esplanada em frente onde foi possível descobrir e ocupar uma mesa e duas cadeiras. É aqui, envolvido por linguajares diversos, a maior parte deles vindos de lugares distantes, que se degusta um pequeno doce conventual, a especialidade mais conhecida da vila, acompanhado por um aconchegador “americano”.
Entra-se no mosteiro por dois lados: pela igreja, de acesso livre, mas limitado e, pelo lado esquerdo, com acesso total ao conjunto, mas pago. Pago, nem sempre, o mosteiro está na lista dos 38 espaços, que portugueses residentes em Portugal, ao domingo (era o caso), podem visitar à borla, como é usual dizer-se. Foi por aqui que a visita começou.
Comummente habituados a viver em espaços curtos e baixos, a primeira sensação que chega ao visitante é a da liberdade, neste caso, do espaço. Todos os salões são enormes, não estão muito cheios, os tetos são todos altos, os dos maiores espaços constituídos por abóbodas. O mosteiro é fundamentalmente, grandes áreas, pilares, abóbodas, nichos e, só por isto, vale a pena visitá-lo. E, se juntarmos ao ver o ouvir, pois às vezes há música clássica ao vivo, a visita torna-se inesquecível.
O dormitório, no piso superior, é onde esta sensação de espaço é maior, pela área e pelas abóbodas que são inúmeras. Algumas portas estão abertas e por elas acede-se à varanda no exterior com vista para um jardim interior. E aqui aplica-se a expressão “não há bela sem senão”: o jardim está abandonado, não é tratado, está cheio de mato; os conjuntos arquitetónicos à volta estão também degradados, nota-se que alguns estão em recuperação, mas pelo aspeto deve ser muito lenta.
Na sala dos reis lá estão, bem no alto, as esculturas dos reis de Portugal, modeladas em tempos remotos pelos monges, provavelmente nos seus tempos livres. Alguns dos reis perderam a cabeça e nem todos os patamares estão ocupados, não sei se pela falta de reis, se dos monges que já lá não estão.
Como em todos os museus, à saída lá está a loja cujas vendas são importantes para a conservação do património. A loja tem um ar moderno, é espaçosa e está bem arrumada. Desta vez o visitante comprou uma lembrança, gastou o dinheiro que poupou na entrada.
Falta rever os ícones do mosteiro que são a igreja e os túmulos de Pedro e Inês. Azar, é a hora da missa, as visitas estão interrompidas. O sol já vai alto, está na hora do almoço, os ícones já são conhecidos, a missa mal começou, a visita fica por aqui.