Cardus Edição 137, setembro 2024

FILATELIA

Edmundo

SELOS, essa coisa admirável!






Dados técnicos:
Data de emissão: 31.07.2024
Design: Hélder Soares
Impressor: Cartor

Mais informação


Pinhal do Rei



Soube, a partir desta emissão filatélica, que o pinheiro-bravo, o mais comum da floresta portuguesa, não é autóctone no território de Portugal. O pinheiro português é o manso, aquela espécie vistosa e bojuda, mas que não rende tanto como o bravo (a madeira é fraca e não dá resina)

O pinhal do Rei, a que esta emissão dos CTT é dedicada foi, na quase totalidade, plantado com pinheiro-bravo, ao que li, importado da França, da região de Landes. A plantação do pinhal foi um processo lento que durou centenas de anos. Como todos aprendemos na escola primária, a sua implementação teve como objetivo travar o avanço e degradação das dunas, bem como proteger as localidades dos ventos arenosos.

Foi do pinhal do Rei que saíram as madeiras para a construção das caravelas e também o pez para a necessária calafetagem. O pinhal era gerido de forma sustentável, a uma operação de corte seguia-se outra de replantação.

A mancha de pinhal com uma área de 11000 hectares nem sempre está verde, o pinhal sofre o mesmo que toda a floresta portuguesa, regularmente a mancha vira cinzenta, o fogo de origens nem sempre claras tudo queima e destrói. No incêndio de 2017, 80% da área arborizada foi consumida pelo fogo, a paisagem ainda hoje apresenta um ar desolado e abandonado. Apesar das tentativas de reflorestação, há um receio que o pinhal nunca mais volte a ser o que era.

O pinhal de Leiria tem muitos apaixonados, Afonso Lopes Vieira dedicou-lhe um poema, há muitas páginas na internet de amigos do pinhal. Também sou um apaixonado do pinhal, não só deste que conheço bem, mas também dos outros e da floresta em geral.

Desde miúdo que planto árvores. Plantei muitas em África, em todos os lugares por onde andei deixei uma árvore, de algumas delas nem tive tempo para lhes provar os frutos. Perto do pinhal do Rei herdei um terreno onde existiu um pinhal bravo, entretanto cortado. Replantei-o, há uns dez anos, com pinheiros mansos. Todos os anos, pela primavera, vejo novos ramos a nascer e a crescer e os pinheiros cada vez maiores e rechonchudos, uns mais que os outros. Montei uma cabana numa das pontas, durmo por vezes lá. De manhã cedo, venho para fora e preparo um pequeno-almoço ligeiro e básico. Quando os primeiros raios de sol aparecem envolvem os pinheiros que brilham devido à humidade que acumularam durante a noite. É esta paisagem brilhante que, por momentos, dá um prazer acrescido ao pequeno-almoço no pinhal.