Cardus Edição 135, julho 2024
Quem não conhece a Baguete, aquele pão comprido, saboroso e estaladiço?
Leio a nota filatélica que acompanha a emissão. Não resisto a trazer para esta página a tradução caseira do original em francês:
É composta por ingredientes de base que são, a farinha, água, levedura e/ou fermento. Esta aparente simplicidade revela, contudo, um processo de fabrico complexo: dosear e pesar os ingredientes, amassar, levedar, dividir, apurar, moldar, retocar e escarificar. Um conjunto de passos meticulosos dominados pelo padeiro artesanal através de um saber único transmitido de geração em geração.
É a promessa de uma experiência sensorial deliciosa. À vista, seduz pela sua crosta dourada e pelos seus cortes (grignes) que são a assinatura do padeiro. Acabada de sair do forno, o seu aroma de pão tostado abre o apetite. Ao toque, é uma transição do rijo (crosta) ao leve (miolo). A primeira dentada é acompanhada de uma sinfonia deliciosa produzida pelo quebrar caraterístico da crosta. O seu sabor autêntico é revelado a cada dentada. É um alimento de partilha, acompanha-nos desde o pequeno-almoço ao jantar, ocupa um lugar de destaque no centro das refeições, e é um permanente convite ao convívio.
Portadora de cultura e costumes, a baguete está profundamente enraizada nas práticas quotidianas dos franceses. Incorpora um ritual, o de ir à padaria, um dos comércios locais que que atrai doze milhões de consumidores todos os dias. A produção de seis mil milhões de baguetes por ano confirma o seu estatuto icónico no património alimentar francês.
A baguete transcende fronteiras para se tornar um ícone internacional. A inclusão destas competências artesanais e da sua cultura no património cultural imaterial da UNESCO atesta a sua influência e estabelece-a como embaixadora da cultura francesa.
Ai quem me dera estar em Montmartre, ir à padaria, comprar uma baguete quentinha e tostadinha, abri-la ao meio, barrar o miolo com manteiga, juntar queijo francês, fechar, partir em duas, mandar vir dois galões e saborear a vida das coisas simples.