Cardus Edição 132, abril 2024
Para comemorar o 40º aniversário do Jorvik Viking Centre na cidade inglesa de York, os correios ingleses emitiram esta série de oito selos sobre a história, o impacto e o legado escandinavo nas Ilhas Britânicas.
Foram trezentos anos de presença Viking na Grã-Bretanha. Tudo começou com incursões rápidas, em que os vikings apareciam com os seus barcos a remos, atacavam as populações costeiras, destruiam os mosteiros católicos (não sei se por serem pagãos ou por se terem apercebido da sua grande riqueza e fraca defesa) e, saque e mortandade realizados, regressavam ao porto de onde tinha partido. Isto no século VIII. Mas, a partir do século seguinte, começaram a invadir a sério, com grandes armadas e vontade de ficarem por mais tempo. O conjunto de pequenos reinos independentes que na alturam coexistiam na ilha, foram completamente desbaratados e, a partir daqui, tudo foi diferente na Grã-Bretanha. Sucederam-se ondas de migração, colonização e conquista e, no início do século XI, era já era a realeza dinamarquesa e norueguesa quem governava toda a Inglaterra, grande parte da Escocia e dominava o mar da Irlanda.
Penso que a cultura viking não se impôs na Grã-Bretanha (muitos dos invasores assumiram a cultura local, nomeadamente a língua e a religião), mas deixou marcas e influências na sociedade e economia, conforme está cada vez mais documentado e divulgado. Há muito de escandinavo na figura humana que hoje se chama Britânico.
Os legados que os correios britânicos selecionaram para esta emissão são principalmente objetos de prata, bronze e aço, tais como, espadas, moedas, broches e ainda um pente e estojo de chifre. Em termos de locais temos uma vista aérea das ruínas do Norse settlement remains (Jarlshof, Shetland) onde, nos anos 800 os vikings criaram e desenvolveram, ao longo de muitas gerações, uma grande quinta e, também, as ruínas do Lindisfarne Priory (Northumberland), um priorado cristão: foi neste local que em 793, os vikings atacaram e destruiram um mosteiro pequeno e desprotegido tendo pilhado toda a riqueza e morto a sangue frio todos os inofensivos monges. Este acontecimento é de tal modo histórico que é considerado como o início da era Viking. O último selo reproduz a Hogback gravestone (Govan Old, Glasgow) uma escultura em pedra caraterística da arte viking.
A emissão celebra os 40 anos do Jorvik Viking Centre . Este museu famoso é uma das maiores atrações da cidade de York. Andar pelo museu é como andar por uma cidade viking há um milénio atrás. Lá estão as pessoas, as casas, os artefactos, tudo em tamanho natural e com uma realidade quase perfeita. É um museu muito visitado, com números muito acima do mais visitado museu português, o museu dos Coches.
Os vikings na Grã-Bretanha, os Ingleses na Índia, os franceses na Argélia, os arabes na Ibéria, os romanos na Lusitânia, os portugueses em África …, neste mundo de migrações por causas diversas, parece-me dificil catalogar alguém como colonizado ou colonizador. Penso que, devidamente explorado e investigado, não há nenhum povo que ao longo da sua história não tenha passado pelas duas situações: colonizador e colonizado.