Cardus Edição 129, janeiro 2024

SELOS, essa coisa admirável!



Dados técnicos:
Data de emissão: 15.11.2023
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LITERATURA - José Saramago


Por alguma razão, uma das quais podendo ser o facto de Saramago ter vivido parte da sua vida em Lanzarote, os correios espanhóis emitiram um selo sobre o prémio nobel português, integrado na série sobre Literatura, que é emitida a uma cadência regular e onde, até agora, ao que me parece, apenas poetas e escritores espanhóis haviam sido presentes. No selo, lá estão, Saramago e Lanzarote.

Acompanha a emissão a pagela onde se poderá ler um resumo da vida do escritor, naturalmente com as fases mais marcantes, entre elas a ida para Lanzarote e uma das razões que o poderão ter levado a tomar essa decisão.

Ao que sei Lanzarote não é uma ilha bonita, ou, pelo menos não é muito verde.  Terá boas praias e temperatura agradáveis, mas toda a paisagem é escura, da cor da lava que por vezes brota dos vulcões. Estes são muitos, com alguns ainda em atividade. Porque terá Saramago escolhido esta ilha para viver os últimos 19 anos da sua vida?

Zangado com o país da sua Azinhaga natal? Porque, como disse Pilar, sua mulher, não lhes interessar a vida, o brilho e a espuma social?

Em Lanzarote, todas as tardes Saramago ia dar um passeio. Enquanto passeava alinhava ideias que de regresso a casa materializava em escrita. E foi assim durante 19 anos, em que produziu grande parte da sua obra literária. Acredito que Lanzarote tenha proporcionado a Saramago condições e ambiente (nomeadamente rotinas) para poder estar concentrado no seu trabalho de escrita. E, porque não, o facto de o tempo também correr devagar em sítios ermos e Saramago já ter a proveta idade de setenta anos quando foi viver para a ilha.

Tenho todos os livros de Saramago, mas apenas li alguns. Não li, por exemplo, os Cadernos de Lanzarote, o seu diário na ilha. Dos que li, o que mais me ficou em memória, para além da sua criatividade, são as suas personagens, pessoas incomuns, simples, com nomes muito próprios, que vivem tranquilas num mundo que não é o delas.

Quantos portugueses apareceram em emissões de selos estrangeiras? Pessoalmente, até hoje, só me apercebi de dois: Fernão de Magalhães e, agora, Saramago. Mas deve haver mais, com certeza.