Cardus Edição 138, outubro 2024


VISITAR MUSEUS FAZ BEM À SAÚDE…

Antonio

Nota: texto elaborado com base na rubrica diária que o autor mantém na Rádio Amália: “Sei de um rio, sei de um Museu.”

Registo sonoro

Tentações de Santo Antão

Tentações de Santo Antão


Tentações de Santo Antão, Hieronymus Bosch, Museu Nacional de Arte Antiga.

Sem a cultura, e a liberdade relativa que ela pressupõe,
a sociedade, por mais perfeita que seja,
não passa de uma selva.
É por isso que toda a criação autêntica é um dom para o futuro.

Albert Camus

Aproveitei uma das 52 entradas gratuitas que os residentes em Portugal têm, por ano, para visitar os 38 museus, monumentos e palácios geridos pela empresa Museus e Monumentos de Portugal, regressando a um local de que gosto muito, o Museu Nacional de Arte Antiga, na Rua das Janelas Verdes, em Lisboa.

Tinha como objetivo, admirar, mais uma vez, uma das pinturas que me fascina, as Tentações de Santo Antão, do pintor Holandês Hieronymus Bosch.

Neste tríptico, encontramos a mais recorrente e central temática de Bosch, a tentação e a solidão do homem justo perante o mal e o diabólico.

Na pintura, podemos observar Santo Antão a ser seduzido pelos demónios até encontrar o caminho para a salvação, através da experiência contemplativa.

Uma possível fonte literária para esta deslumbrante obra de arte, é o relato da vida do Santo Antão feito por Jacopo de Voragine, por volta de 1280, que descreve minuciosamente as instigações demoníacas e as perturbadoras visões, que o teriam atormentado:

O diabo dispõe de mil maneiras para causar dano. Aquela mesma noite ouviu-se um ruído tão grande que tremeu todo aquele lugar. Os muros da sua cela pareceram abrir-se, e entrou uma multidão de demónios; aparências de bestas selvagens e répteis, espectros de leões, ursos, leopardos, touros, serpentes, áspides, escorpiões e lobos enchiam o recinto.

Pormenores do quadro