Cardus Edição 132, abril 2024


VISITAR MUSEUS FAZ BEM À SAÚDE…

  António Acciaioli Campos

(antonioacampos@netcabo.pt)

Nota: texto elaborado com base na rubrica diária que o autor mantém na Rádio Amália: “Sei de um rio, sei de um Museu.”

Abril 2024


50 anos de democracia, 50 anos de liberdade.

Decidi comemorar esta efeméride com textos do grande pensador e filósofo, Eduardo Lourenço, que nos deixou em 2020.

Bom dia liberdade, bom dia futuro!

Mais importante que o destino
é a viagem

(E. L., 2010)

Nós somos tempo. Compreender aquilo que nós somos é compreender o tempo que nós somos, aquilo que o tempo exterior, o tempo da história, o tempo da sociedade é em nós. Não se faz essa aprendizagem sem que ela seja uma metamorfose permanente daquilo que nós somos.

(E. L., 2014)


Museu do Aljube


Por esta prisão terão passado cerca de 30 mil presos políticos entre 1928 e 1965.

A cultura serve para nos despir de toda a arrogância, particularmente essa que consiste em imaginar que, sendo cultivados, encontramos Deus. A cultura é um exercício de desestruturação, não de acumulação de coisas. É uma constante relativização do nosso desejo, legítimo, de estar em contacto com aquilo que é verdadeiro, belo, bom. É esse exercício de desconfiança, masoquista, de desencantamento. Só para que não caiamos no único pecado, que é verdadeiramente o pecado contra o espírito: o orgulho.

(E. L., 2003)


Prisão de Peniche (libertação dos presos 26 e 27 de Abril 1974)


Por esta prisão terão passado cerca de 2.500 presos políticos entre 1934 e 1974.

A cultura não é aquilo que nos enriquece, como a posse das coisas materiais nos enriquece. É aquilo que nos despe de toda a espécie de tentações, das quais a maior de todas é o orgulho de pensar que nós somos os mestres do mundo ou da vida.

(E. L., 2024)


Museu do Tarrafal


Por esta prisão, entre 1936 e 1954, terão passado cerca de 340 presos políticos. Reaberto em 1961 passou a deter militantes da guerra colonial tendo sido contabilizados 106 angolanos, 100 guineenses e 20 cabo-verdianos.

Não sei fazer outra coisa a não ser pensar (…)

O homem é, por essência, alguém que vive dos sonhos maiores do que ele.

(E. L., 2017)


Memorial da Resistência e liberdade – São Paulo Brasil


A liberdade é como respirar

(E. L., 2014)

A Eduardo Lourenço, que foi um dos maiores pensadores que Portugal e a Lusofonia conheceram, só me resta dizer: Obrigado