Cardus Edição 132, abril 2024
António Acciaioli Campos
50 anos de democracia, 50 anos de liberdade.
Decidi comemorar esta efeméride com textos do grande pensador e filósofo, Eduardo Lourenço, que nos deixou em 2020.
Bom dia liberdade, bom dia futuro!
Mais importante que o destino
é a viagem
(E. L., 2010)
Nós somos tempo. Compreender aquilo que nós somos é compreender o tempo que nós somos, aquilo que o tempo exterior, o tempo da história, o tempo da sociedade é em nós. Não se faz essa aprendizagem sem que ela seja uma metamorfose permanente daquilo que nós somos.
(E. L., 2014)
A cultura serve para nos despir de toda a arrogância, particularmente essa que consiste em imaginar que, sendo cultivados, encontramos Deus. A cultura é um exercício de desestruturação, não de acumulação de coisas. É uma constante relativização do nosso desejo, legítimo, de estar em contacto com aquilo que é verdadeiro, belo, bom. É esse exercício de desconfiança, masoquista, de desencantamento. Só para que não caiamos no único pecado, que é verdadeiramente o pecado contra o espírito: o orgulho.
(E. L., 2003)
A cultura não é aquilo que nos enriquece, como a posse das coisas materiais nos enriquece. É aquilo que nos despe de toda a espécie de tentações, das quais a maior de todas é o orgulho de pensar que nós somos os mestres do mundo ou da vida.
(E. L., 2024)
Não sei fazer outra coisa a não ser pensar (…)
O homem é, por essência, alguém que vive dos sonhos maiores do que ele.
(E. L., 2017)
A liberdade é como respirar
(E. L., 2014)
A Eduardo Lourenço, que foi um dos maiores pensadores que Portugal e a Lusofonia conheceram, só me resta dizer: Obrigado