Cardus Edição 131, março 2024


VISITAR MUSEUS FAZ BEM À SAÚDE…

António Acciaioli Campos

(antonioacampos@netcabo.pt)

Nota: texto elaborado com base na rubrica diária que o autor mantém na Rádio Amália: “Sei de um rio, sei de um Museu.”

AS RESERVAS DOS MUSEUS


Reservas do Museu de Etnologia

GUARDAR

Guardar uma coisa não é escondê-la ou trancá-la.
Em cofre não se guarda coisa alguma.
Em cofre perde-se a coisa à vista.
Guardar uma coisa é olhá-la, fitá-la, mirá-la por admirá-la, isto é, iluminá-la
ou ser por ela iluminado.
Guardar uma coisa é vigiá-la, isto é, fazer vigília por ela, isto é, velar por ela,
isto é, estar acordado por ela, isto é, estar por ela ou ser por ela.

Antonio Cícero

Parte significativa do acervo de um Museu não está presente nas exposições permanentes – são guardados em locais específicos que se denominam de Reservas Museológicas.

As Reservas, localizadas em ambientes com controle de climatização e com constante higienização, são locais onde as peças estão guardadas em segurança e disponíveis para investigação ou conservação.

Estes espaços surgiram no início do século XX, resultam da falta de espaço na zona das coleções permanentes em exposição e, normalmente, são locais de acesso restrito para salvaguardar a longevidade e garantir o menor impacto nos objetos ali depositados.

Reservas do Museu da Cidade de Lisboa

Em Portugal, as Reservas Museológicas estão regulamentadas pela Lei No. 47/2004 de 19 de agosto, que refere no seu artigo 30º:

1 – O museu deve possuir reservas organizadas, de forma a assegurar a gestão das coleções tendo em conta as suas especificidades;

2 – As reservas devem estar instaladas em áreas individualizadas e estruturalmente adequadas, dotadas de equipamento e mobiliário apropriado para garantir a conservação e segurança dos bens culturais.

Reservas do Museu das Comunicações

Ao longo da minha carreira profissional nos CTT, colecionei peças que estavam nas antigas estações dos Correios e em outros locais da empresa que, aquando de obras de remodelação, tinham como destino o ferro velho.

Anos mais tarde, convidei técnicos do Museu das Comunicações a visitar o “meu gabinete de curiosidades” para verem se algumas das peças existentes teriam interesse para o acervo desse espaço museológico. Após atenta observação da minha coleção, escolheram várias peças, que lhes ofereci de imediato, para ficarem no acervo do Museu das Comunicações, sendo que algumas delas já estão hoje na exposição permanente do Museu.

Perante o meu enorme prazer pelo acervo dos Correios e pela museologia, convidaram-me a visitar as Reservas do Museu, que ficam na Calçada da Boa Hora, em Lisboa.

Isabel Manteigas, responsável pelas Reservas do Museu das Comunicações, conduziu-me numa belíssima visita. Um território fantástico, um lugar protegido, inacessível aos olhos profanos, onde se acumula e preserva um valioso acervo que faz parte da história dos Correios e das Telecomunicações.

Reservas do Museu das Comunicações

Eram muitas as peças desta Reserva: móveis, fardamentos, balanças, relógios, equipamentos operacionais, marcos do correio, máquinas, miniaturas, equipamentos das telecomunicações, uma imensidão de belos objetos com que me encantei.

Em Portugal temos muitos Museus que têm as suas Reservas acessíveis, é um novo mundo a descobrir que não podemos deixar de visitar e de explorar.

Visitar Museus, e as suas Reservas, faz bem à saúde!