Cardus Edição 129, janeiro 2024

Malisca



O NATAL



Dia 23, pela tardinha, quando já tudo se aprumava para a grande festa, chegaram! Com fome e cansados da viagem, que tivera início de madrugada, traziam solta a curiosidade e a expectativa sobre as tradições do Natal em Portugal.

A casa, decorada com guirlandas, fadas, gnomos, duendes e luzes, recebeu-os de braços abertos, pretensiosa e cheia de denguice a abrolhar pelas paredes e janelas o feitiço da magia.

Muitas perguntas penduradas entre as voltas à casa e o sobe e desce pelas escadas como se quisessem beber de uma só vez as novidades preparadas para o evento.

Num instante fica instalado o rebuliço. Ao outro dia, já aconchegados da restante família, no meio de galhofas e de correrias, a árvore de Natal deixa-se entornar dos enfeites, as fadas, os gnomos e os duendes perdem os seus lugares e a mesa grande rodeada de muitas cadeiras desordena todo o espaço.

O bacalhau cozido com todos não garantiu o regozijo do jantar, nem as rabanadas e as filhoses foram o gáudio dos petizes na noite da consoada. Habituados a outros menus, a tradição portuguesa não foi alvo de grande entusiasmo.

A chegada do Pai e da Mãe Natal culminou num fulgor de alegria. De repente faz-se silêncio e os mais pequenos deixam-se embrulhar pelo mistério da fantasia.

Goradas algumas expectativas, mas satisfeitas outras, foram dias de muita novidade, vida, cansaço e agitação que encheu de alegria este meu Natal.