Cardus Edição 137, setembro 2024

LIVROS

Lara Nilde



A GORDA

Isabela Figueiredo


Uma obra sobre aceitação e identidade.

Já havia começado a ler o livro, mas depois abandonei. Abandonei um livro a gostar dele. Já não me lembro bem qual a razão. Provavelmente, o livro não era meu. Este também não é, pertence a uma biblioteca e tenho que o devolver amanhã. Mas desta vez … está lido!

Estava a dizer… aceitação e identidade. Aceitação não de uma obesidade ou excesso de peso, como o título pode sugerir.

Maria Luísa perceciona um mundo desde a infância. O seu, claro, mas um mundo descrito de um modo quase duro, mas com sinceridade poética. A personagem principal é um símbolo contra os preconceitos, certo, mas o livro é mais que isso. É a sua vida, a chegada de Angola, a morte do pai, a casa em Almada, os amores da adolescência e depois da adolescência…

Aquilo que no meu entender, faz com que este livro seja referência da literatura prende-se com a escrita de Isabela Figueiredo. A história é introduzida em cada compartimento da casa de Almada. Começamos no Hall, depois cozinha… e a casa da protagonista é percorrida pelo leitor, como se estivéssemos a espreitar a vida de Maria Luísa. A casa quase nunca teve alguém. A solidão ou o sentimento de solidão sempre presente na protagonista mesmo nos momentos mais cómicos da obra.

“Estamos sempre iguais na solidão. Sempre os mesmos.”

Lara Nilde