Cardus Edição 134, junho 2024

ENTREVISTA por

Antonio

Mais do que uma entrevista é uma conversa entre amigos. Cleia Ribeiro é designer têxtil e integra a equipa de design e produção de uma marca portuguesa que desenvolve produtos de moda mulher e decoração, muitos deles desenvolvidos e fabricados em países distantes como a Índia ou o Nepal.

Quando compramos uma peça de roupa nem imaginamos a criatividade e o esforço dos muitos profissionais que contribuem para a conceção destes produtos.

É uma boa razão para uma conversa com Cleia Ribeiro.



CLEIA RIBEIRO

O nosso maior desafio é, também, encontrar soluções mais sustentáveis para uma indústria tão conotada com o desperdício e poluição.

Como nasce a ideia para a conceção de uma peça de vestuário?

Normalmente criamos uma coleção sobre um tema designado pela nossa diretora criativa, Teresa Martins. São escolhidas paletas de cores, tecidos base, fios e silhuetas. A inspiração pode ser um objeto que nos transporta para determinado universo, um sentimento que nos inspira ou atormenta/desalinha ou mesmo um país com toda a sua riqueza e tradição cultural.

O teu processo de criatividade é um ato isolado ou discutes com alguém?

Escolhido o tema, discutimos vários caminhos em equipa (somos 4, um designer de moda Victor Gonçalves e uma modelista Teodora Ivanova) e, normalmente, pesquisamos várias marcas, designers e artistas, cujo trabalho admiramos. Mas há sempre um trabalho de recolhimento e introspeção combinado com trocas de ideias e inspirações.

Para além do teu prazer em ver uma obra tua nascer e ser vendida no mercado, quem são, para ti, as outras pessoas que avaliam a qualidade dos teus produtos?

Sem dúvida que trabalhamos para os nossos clientes. Fazemos Design e não Arte. Temos a sorte de ter clientes que entendem o nosso processo produtivo, as opções que tomamos que podem, muitas vezes, não ser as mais “perfeitas”, mas têm a marca humana do tecido estampado, bordado, feito à mão. Um toque e uma energia diferente...

No teu ramo a criatividade tem limites? Como conciliar a liberdade criativa com a pressão do mercado?

No nosso caso, que vamos comemorar 20 anos de atividade este ano, temos a sorte de ter um publico fiel que se identifica com a marca que tem características muitos próprias, mas é sempre um desafio ganhar maior cota de mercado, até porque os fornecedores mudam, a capacidade de desenvolver os bordados, estampados e cores e tecidos pelas quais a marca é conhecida é diferente e os custos das matérias primas e mão de obra têm subido muito, principalmente após a pandemia. Por todas estas razões tem sido um grande desafio não desvirtuar a marca ou deixar cair os pilares pela qual é conhecida, destaco aqui a determinação da Teresa Martins.

O nosso maior desafio é, também, encontrar soluções mais sustentáveis para uma indústria tão conotada com o desperdício e poluição.

Para além das peças da marca onde trabalhas (Trace of Me) sei que tens produtos com a tua assinatura que também são vendidos na mesma empresa. Como está esta linha de produto e o que pensas fazer no futuro?

A coleção de lenços que apresentei deverá ter continuidade e faz sentido sobre a "umbrela" da TM, onde trabalho há 17 anos e não teria nascido se assim não fosse.

Sou amigo da Cleia Ribeiro, gosto muito dela, admiro a sua obra e … sou cliente da TM onde me perco nas coleções cheias de cores e de altíssima qualidade.

Obrigado Cleia por tudo.

António Acciaioli Campos