Cardus Edição 128, dezembro 2023
Já lá vai o tempo em que se escreviam cartas. Pegava-se numa folha de papel, escrevia-se uma quantas linhas, dobrava-se, punha-se dentro de um envelope, escrevia-se o endereço do destinatário, do remetente (não era obrigatório), fechava-se, colava-se o selo e tinha-se uma carta que era colocada num marco de correio. Algumas cartas tinham resposta, que vinha uns tempos depois, quem as trazia era o carteiro. “Traz carta para mim” era a pergunta mais ouvida por ele, é também o título de uma canção muito conhecida de Sérgio Godinho. Pela letra sabia-se quem escrevia, algumas cartas eram autênticas peças de literatura, muitas incluíam poemas, outras, ainda, ilustrações vistosas e cuidadas.
Uma peça fundamental da carta era o selo sem o qual não seguia para o destinatário. Este era impresso em grandes quantidades, nos últimos tempos vinha já com cola, pelo que era só humedecê-lo (por processos variados uns mais higiénicos que outros) e colá-lo na carta. Era ainda carimbado pelos funcionários dos correios para impedir a sua reutilização, a sua função não se esgotava no comprovativo de pagamento, chegado ao destino havia quem o descolasse e guardasse, assim surgiu a filatelia.
Ainda hoje existem as caixas de correio, todas as casas e apartamentos tem uma, mas o que cai lá dentro já não são cartas, é apenas publicidade, faturas, recados ou coisa parecida. A venda de selos dos correios para colar em cartas já não deve ter expressão, o que ainda mantém as emissões de selos são os colecionadores, neste caso os chamados filatelistas.
Os CTT têm realizado alguma inovação, aquela de que me apercebi recentemente é a dos selos personalizados. Qualquer pessoa ou identidade pode conceber um selo e os CTT produzem-no nas quantidades que se quiser. E podem ser colados em cartas como qualquer selo “oficial”.
O selo que acompanha esta crónica é um selo personalizado. Foi uma criação rápida e despretensiosa do autor. Foram emitidos 25 selos (quantidade mínima) que vão ser utilizados para enviar cartões de Boas Festas a amigos e familiares: um reviver daquilo que se fazia há alguns anos na quadra do Natal.
Bom Natal para todos.