Cardus Edição 121, maio 2023



SELOS, essa coisa admirável!




Dados técnicos:
Data de emissão: 28.02.2023


1º selo digital português


Os CTT anunciaram há uns meses o lançamento do 1º selo digital português. Como bom colecionador de selos de Portugal, adquiri um, apenas o virtual, pois, entretanto, esgotaram-se os que eram acompanhados da representação em papel. Não interessa, o que é importante é que, algures numa base de dados, está um registo inviolável a dizer que sou proprietário dum exemplar do primeiro selo digital português.

Posso vê-lo num browser (a imagem que acompanha este texto é uma captura de ecrã do dito) e ler todas as caraterísticas dele, como, por ex., o seu grau de raridade. Este é agora definido à partida. Existem 40000 selos digitais, dos quais 35000 são comuns (fundo vermelho), 4900 são raros (fundo roxo), 99 são super raros (fundo azul) e apenas um é único (fundo branco). Esta caraterística só é conhecida depois de se comprar (resgatar) o selo. O meu é comum, como se pode ver pela cor.

Diz-me a publicidade que posso selar cartas com o selo não me diz é como. Provavelmente apenas cartas digitais, começo a pensar que qualquer dia vamos ter de selar o correio eletrónico, deve ser giro, enviar um email em formato de envelope com o selo, em cima, tal como se fazia nos tempos do papel, mas agora com mais higiene, pois já não é necessário usar a língua para colar o selo.

Tal como os vetustos selos em papel o selo digital também tem um valor que regra geral é tanto maior quanto maior for o seu grau de raridade. O meu, posso ver nas caraterísticas, para já vale nada. Custou-me €9.90 mas vale nada. O felizardo que apanhar o branco, pagou o mesmo que eu, mas certamente o seu selo vai ser muito mais valioso. É assim uma espécie de lotaria em que a sorte grande é o branco. Quanto vale um selo (papel ou virtual) é uma coisa muito importante, é uma referência para o mercado de transações, antigamente pagava-se valores exorbitantes por um pedacinho de papel, hoje vai fazer-se o mesmo por uns bites armazenados algures no mundo virtual.

É assim o novo mundo filatélico, onde antigamente havia papel há agora imagens no ecrã. Tal como o dinheiro, que continua a fluir, antigamente, de bolso para bolso, agora, de uma memória para outra. E o mercado a funcionar, como dizem os economistas.