Cardus Edição 117, janeiro 2023

Filatelia
(Edmundo Cardeira)



SELOS, essa coisa admirável!


A dependência de Ross é um território na Antártida que é reivindicado pela Nova Zelândia. É uma espécie de sector circular com o vértice no Pólo Sul e uma abertura de aproximadamente 30º virada a sul. Tem muito de mar e pouco de terra, quase toda a área é ocupada pelo mar de Ross que lhe dá o nome. Vive gente nesta região inóspita durante todo o ano, mais no verão que no inverno. Dividem-se em dois grupos: os cientistas e os que os apoiam, mais ninguém. Os lugares aqui chamam-se bases científicas, entre as mais conhecidas estão a de Scott (Nova Zelândia), McMurdo (US), Zucchelli (Itália) e Jang Bogo (Coreia do Sul).

Dados técnicos:
Data de emissão: 2 de novembro de 2022
Designer: Chris Jones, Graphetti, Wellington



ROSS DEPENDENCY

SCIENCE on ICE


O Mar da Antártida é uma peça importante no sistema climático mundial.
Todos os anos, no inverno, cria frio que mantém as placas de gelo, influencia as tempestades no hemisfério Sul e contribui para a redução da taxa do aquecimento global pela sua interferência no restante oceano.

Os selos desta emissão apresentam o trabalho inovador que os cientistas neozelandeses do gelo realizam no mar da Antártida, orientado para melhorar a previsão do futuro e de como as mudanças climáticas podem afetar o frágil equilíbrio do gelo marinho na Antártida. Toda a informação associada aos selos foi retirada do caderno desta emissão.



Comunidades microbióticas do gelo marítimo (Sea Ice Microbial communities)

As comunidades microbianas da Antártida vivem em bolsas de água salgada entre os cristais de gelo marinho. Estas algas e bactérias são o único alimento para o krill e outros seres durante seis meses do ano, como tal, vitais para a cadeia alimentar deste continente.

Os cientistas têm vindo a estudar o impacto que as alterações climáticas, nomeadamente a diminuição do gelo marinho e o consequente aumento de neve, poderá ter nestas comunidades.

Descobriram, entretanto, que alguns destes seres moleculares absorvem energia solar por um processo equivalente ao da fotossíntese das plantas, mas muito mais simples, pois não consome dióxido de carbono nem produz oxigénio. As bactérias são seletivas, umas reagem a determinada cor, outras a outra. Para estudarem estes processos os cientistas estendem sobre o gelo grandes lençóis coloridos de plástico como se pode ver na imagem do selo.



Medidas de espessura do gelo (Supercool measurements)

O mar de gelo é importante para o clima – reflete a radiação solar e provoca o movimento dos oceanos à volta do planeta.

O gelo não é todo igual, a sua espessura varia de acordo com o tipo. Este dado é muito importante para a previsão do clima no futuro, pelo que uma das atividades destes cientistas é a medida da sua espessura, para o que usam diversos processos e instrumentos.

A imagem do selo refere-se à estrutura cristalina de uma secção de gelo marítimo, neste caso, de “gelo colunar” que é o gelo que se forma quando o oceano atinge o ponto de congelação. Trata-se duma fotografia com técnica de polarização cruzada em que cada cristal apresenta uma coloração própria de acordo com a sua orientação.



Espessura de gelo e neve (Ice and Sea Thickness)

Gelo Marítimo e principalmente a neve atuam como um espelho gigante que reflete a energia solar, mitigando, deste modo, o aquecimento global do oceano.

Quando a água do mar congela, expele o sal, que desce, e arrasta o carbono dissolvido para o fundo do mar que se espalha por todo o fundo oceânico.

A imagem no selo apresenta um dos instrumentos usados pelos neozelandeses para medir a espessura do gelo e da neve. É designado por “EM bird”, contém radares e sensores que medem a profundidade da neve e a espessura do gelo. Pendurado num helicóptero, viaja a uma velocidade de 50 metros por segundo exatamente 15 metros acima da superfície gelada.



Gelo de plaquetas como habitat (Platelet Ice as habitat)

A camada de cristais de gelo por baixo do gelo marítimo é chamada de sub-gelo de plaquetas. É nesta camada que se encontram as algas, ovos de peixe e larvas. As investigações dos cientistas nesta zona concentram-se na distribuição da camada e como esta poderá ser afetada no futuro.

Para isso desenvolveram uma espécie de broquim cilíndrico que perfura até cerca de dez metros extraindo cilindros de gelo sem alterar a delicada estrutura interna do mesmo.

A imagem do selo apresenta uma vista a partir de cima da câmara de extração de amostras deste equipamento.