Cardus Edição 128, dezembro 2023
Haverá mesmo um Museu da Preguiça, ou um Museu do Futuro ou um Museu das Relações Acabadas ou um Museu da Inocência? São muitos os espaços denominados “Museu” com eventuais coleções peculiares e pouco habituais.
Se os Museus tradicionais guardam e expõem memórias, como será o acervo dos Museus do Futuro que existem no Rio de Janeiro e no Dubai? Neste caso estamos perante instituições culturais que interrelacionando a ciência e a tecnologia, investigam e refletem como é que a sociedade pode evoluir nas próximas décadas.
O ‘Museum of Broken Relationships’ (Museu das Relações Acabadas) fica na Croácia, sendo um local onde são recolhidos presentes, objetos pessoais que foram recebidos/trocados durante um relacionamento afetivo, e que hoje constituem um acervo emocional de boas e más recordações.
O Museu da Inocência é o nome de um livro do escritor turco Orhan Pamuk que conta uma história de amor, passada em Istambul.
E o Museu da Preguiça, onde ficará?
Para falarmos deste lugar, comecemos por conhecer a “Casa do Comum”, que fica na Rua da Rosa ao Bairro Alto em Lisboa, um novo espaço cultural da cidade, sonho dum homem das letras, José Pinho, livreiro, fundador da livraria Ler Devagar, do Festival FOLIO de Óbidos e de muitas outras iniciativas culturais, que nos deixou recentemente.
A “Casa do Comum” ocupa três andares, onde podemos encontrar uma livraria de referência, um alfarrabista, uma livraria com o espírito da Ler Devagar original, uma pequena sala de cinema pensada para concertos intimistas e projeções de filmes “não comercias”, um espaço para dança, um bar e, finalmente, um Museu da Preguiça, morada de três bibliotecas que, segundo João Pinho, “foram doadas por amigos, para serem descobertas na horizontal, nas várias camas e redes espalhadas pelo espaço”.
O Museu da Preguiça é, assim, um lugar original inspirado no livro “Direito à Preguiça”, de Paul Lafargue. Um espaço mágico, onde podemos ler obras das três bibliotecas pessoais de José Pinho e dos amigos, Roger Claustre e Liana Marchetti, guardadas em bonitos móveis antigos de farmácia.
Na “Casa do Comum” e em especial neste Museu da Preguiça, existe um espaço secreto a explorar, onde se pode dormir uma sesta, namorar um livro, enamorar-se por alguém, sonhar ou simplesmente desacelerar, tal como nos Museus tradicionais este é um espaço para Estar e contemplar com vagar.
António Acciaioli Campos