Porque será que os portugueses não visitam Museus?
Os indicadores de gestão de museus mostram que, em Portugal, 70% dos visitantes são estrangeiros e que o público nacional continua a ser inferior nas estatísticas.
O problema está há muito identificado, regista-se um acentuado divórcio dos portugueses em relação às atividades culturais, sendo a visita aos museus uma das mais penalizadas.
Haverá, de certeza, muitas razões para este divórcio, ausência de atividade cultural ao longo da vida, dificuldades económicas, insuficiente programação apelativa nos museus, pouca atenção nas escolas para a área da cultura e dificuldades administrativas e financeiras crescente para suportar a visita a instituições culturais, perceção de que tudo o que existe no museu não nos diz respeito, ou que “já vimos tudo numa anterior visita”, fraca atenção dada às questões culturais pelos média, entre tantos outros constrangimentos.
Reconhecer que persiste uma questão por resolver no que respeita à captação e fidelização de públicos nas instituições culturais é importante, e há muito que fazer e em várias áreas para alterar este paradigma.
Sem querer ser exaustivo apresento algumas iniciativas que poderiam/deveriam ser implementadas:
1 – A nível das Tutelas:
- Escolher Direções com perfil de gestão, com pensamento abrangente, competência técnica museológica e com uma atenção especial aos diferentes públicos;
- Implementar e controlar diferentes objetivos de gestão museal;
- Agilizar a autonomia administrativa, financeira e programática;
- Incentivar os museus a trabalharem para os seus públicos;
- Promover a existência de indicadores de gestão onde estejam refletidos, entre outros - O número de visitantes; O grau de satisfação dos mesmos; A quantidade de parcerias com escolas; A existência de mestrados e doutoramentos que estudem o seu acervo; Quantidade e a qualidade de exposições temporárias;
- Estabelecer parcerias com Mecenas;
- Implementar planos de comunicação e estabelecer parcerias com os média;
- Promover uma política de bilhética que facilite a entrada de residentes em Portugal.
2 – A nível dos Museus
- Trabalhar por objetivos mensuráveis;
- Tornar os seus museus espaços vivos com parcerias com as escolas e variadas instituições;
- Dinamizar exposições temporárias, com parcerias com os média;
- Valorizar os Serviços Educativos virados para todos os públicos;
- Implementar uma gestão inteligente das coleções, em função do que “toca” verdadeiramente os visitantes.
3 – A nível das Escolas
- Incentivar os professores relativamente a algumas matérias, nomeadamente ao nível da história, das artes visuais ou outros assuntos que complementem os curricula escolares;
- Desenvolver atividades que promovam o “estar” nas instituições museais, utilizando de forma criativa as suas coleções, contribuindo para os processos de aprendizagem e, captação dos alunos e das suas famílias para desenvolverem competências culturais.
4 – A nível dos Meios de Comunicação
- Dinamizar espaços virados para a cultura e para os museus em especial;
- Promover atividades de lazer ligadas aos museus;
- Criar, em cumplicidade com as Tutelas, formas de incentivos financeiros para que os meios de comunicação dediquem espaços à cultura e aos museus em particular.
5 – A nível das Associações Profissionais de Museologia
ICOM (International Council of Museums) e APOM (Associação Portuguesa de Museologia)
- Desenvolver atividades vocacionados para a valorização dos espaços museológicos e dos seus profissionais;
- Promover e incentivar ações de formação para os profissionais de museologia;
- Incentivar ações vocacionados para o grande publico;
- Promover ações publicas de reconhecimento e incentivo em relação aos profissionais museais.
6 –A nível dos Cidadãos | O que TODOS podemos fazer
- Comecemos pelo mais básico - visitar museus!
- Estar atentos à programação cultural diversificada;
- Incentivar os amigos, as famílias, os filhos, os netos, todos, repito - TODOS a frequentar museus, a visitar exposições permanentes e temporárias existentes um pouco pelo país;
- Ter prazer e orgulho, em apreciar as imensas obras de arte, os tesouros e todos os bens existentes nos Museus, Monumentos e Palácios.
7 – O meu contributo
- Produzo, há cerca de três anos uma rubrica diária sobre Museus na Rádio Amália - “Sei de um Rio, sei de um Museu”, que totalizando, até este momento, 700 edições tem um formato simples, pragmático, não excedendo dois a três minutos, divulgando espaços museológicos, exposições temporárias, algum acervo importante, noticias diversas sobre museologia;
- Publico no Cardus, onde abordo temas relacionados com os espaços museológicos ou outros temas culturais;
São duas formas de divulgação que pretendem fazer chegar a informação cultural, a vários públicos, difundindo o que de melhor se faz nas nossas instituições e saindo dos grandes média tradicionais.
8 – Conclusão
A valorização e promoção dos espaços museais é um trabalho de médio/longo prazo, para o qual deveremos TODOS contribuir.
Nesta tarefa, TODOS não somos demais!
António Acciaioli Campos