Cardus Edição 121, maio 2023
Contrariamente ao que muitas pessoas pensam, a bananeira não é uma árvore mas sim uma herbácea de grande porte com crescimento rápido, o seu tronco não é lenhoso e após a apanha do cacho de bananas o caule é cortado.
A reprodução é feita por meio da propagação vegetativa do rizoma, que é como um caule horizontal que as bananeiras têm por baixo da terra.
A banana é uma doce forma de dar nutrientes ao corpo já que é rica em potássio, ferro, fósforo, magnésio, vitamina C e B sendo uma fonte de energia para o organismo, contendo em média cerca de 110 quilocalorias por cada 100 gramas.
O termo "Banana", segundo se sabe, tem origem na Guiné. Nos séculos XV e XVI, colonizadores portugueses começaram a plantação de bananais na Madeira, julgando-se que as primeiras plantas, terão vindo das Canárias ou de Cabo Verde. Tornaram-se, desde logo, parte integrante da paisagem da ilha.
A banana da Madeira é conhecida por ser mais pequena do que a sul americana, mas mais saborosa sendo o seu custo elevado explicado, em parte, pela orografia da Ilha que não permite grandes espaços de cultivo e também, por ser somente cultivada numa faixa entre o nível do mar e os 300 metros de altitude.
Nos primeiros quatro meses de 2022 foram comercializadas, na Madeira, quase 6 mil toneladas de bananas sendo que mais de 80% foi exportada tendo como principal destino o território continental de Portugal.
O BAM, Centro da Banana da Madeira, é um museu interativo dedicado ao fruto ex-líbris da ilha. Mistura um espaço museológico com um centro de investigação científica, de experimentação e de inovação tecnológica, conciliando a agronomia com a vertente mais lúdica-turística e educativa.
Fica na localidade da Ponta do Sol, a cerca de 20 Km do Funchal.
A visita ao BAM, começa pelo Núcleo Museológico interativo, que reúne informação sobre a história da banana, a sua origem e uma série de experiências.
Logo na entrada, somos recebidos por um assistente virtual, o Pedro, que nos dá as boas-vindas e responde a perguntas frequentes tais como, quantos cachos de banana dá uma bananeira ou quanto tempo demora o desenvolvimento de uma banana.
Em complemento às experiências interativas, o museu dispõe de informações dispostas em painéis ecológicos, fotografias com figuras de destaque que visitaram a ilha, terminando o percurso interior com o visionamento de dois filmes.
A visita continua na parte exterior do edifício principal, com a observação de bananeiras em diferentes fases de crescimento bem como uma estufa com diferentes variedades desta planta.
Finalmente, somos encaminhados para a loja e bar do BAM, onde encontramos vários produtos derivados da banana, como chocolates, aguardente ou cerveja.
Caso para dizer que, no final da visita, podemos beber uma cerveja … “à sombra da bananeira”.
Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!
Casimiro de Abreu (poeta brasileiro)
António Acciaioli Campos