Cardus Edição 120, abril 2023
O Museu de São Roque, no Chiado em Lisboa, é um tesouro que faz parte do roteiro de todos os que gostam do Belo.
Inaugurado em 1898, está anexado à Igreja de São Roque, e possui uma importante coleção de arte sacra, espólio da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.
Deixarei o Museu para outra oportunidade, pois proponho que nos concentremos na Igreja de São Roque.
Edificada no final do século XVI, com uma fachada simples e austera, possui no seu interior uma decoração que resultou de diversas fases de atividade entre os séculos XVII e XVIII, refletindo os ideais tanto da Sociedade de Jesus ou, no caso das capelas, das respetivas irmandades ou fraternidades.
Este templo, aquando do terremoto de 1755, foi um dos poucos edifícios de Lisboa que se salvou, quase sem sofrer estragos.
Das diferentes capelas existentes no seu interior, destaco a de São João Baptista que foi encomendada pelo Rei D. João V, nos finais do século XVIII aos arquitetos italianos Luigi Vanvitelli e Nicola Salvi. Para a construção desta capela foi necessário contar com o trabalho de mais de 130 artífices. Originalmente foi montada em Roma, onde o Papa Bento XIV celebrou uma missa na Igreja de Santo António dos Portugueses. Posteriormente desmontada e transportada para Lisboa, necessitou de três naus para o seu transporte até Lisboa.
Inaugurada no ano de 1750, é uma obra de arte única, sem paralelo no seu estilo, constituída inteiramente por diversos tipos de rochas ornamentais: lápis-lazúli, ágata, verde antigo, alabastro, mármore de Carrara, ametista, pórfido roxo, branco-negro de França, brecha antigo, diásporo, jade entre outras.
Podemos e devemos apreciar, também, o quadro central e os dois laterais, bem como o pavimento em mosaico, trabalho artístico de grande perfeição, o arco exterior da capela que é encimado pelas Armas Reais Portuguesas.
Sendo, à época, a mais cara capela da Europa, nada melhor que acabar este texto com um poema de Manuel Alegre:
Portugal
O teu destino é nunca haver chegada
O teu destino é outra índia e outro mar
E a nova nau lusíada apontada
A um país que só há no verbo achar
António Acciaioli Campos