Cardus Edição 118, fevereiro 2023


VISITAR MUSEUS FAZ BEM À SAÚDE…

António Acciaioli Campos

Nota: texto elaborado com base na rubrica diária que o autor mantém na Rádio Amália: “Sei de um rio, sei de um Museu.”



Cadeira GONÇALO


Nesta cadeira me sento
é nela que me apresento,
mas menos do que me ausento,
tento, lamento, avelhento,
aqui me invento e rebento;
passo cordura de unguento
e alimento o alento
da vida de sono e pão.

Pedro Tamen

Não é obrigatório ir a um museu para apreciar o nosso património…

Muitos dos tesouros museológicos estão no espaço publico… uma estátua, um edifico, um jardim, uma ponte… uma simples cadeira...

A cadeira GONÇALO tem linhas simples sendo composta por quatro peças fundamentais:

Nada mais simples!

A Cadeira Gonçalo é muito mais do que uma simples cadeira. É um símbolo português reconhecido internacionalmente pelo seu design e pela sua história.

Foi concebida nos anos 30 e 40 do século passado no número 16 da Rua Alegre, em Algés numa fábrica artesanal chamada ARCALO, tendo sido o mestre serralheiro Gonçalo Rodrigues dos Santos a concebê-la, daí ser chamada: Cadeira Gonçalo.

Nessa época estas cadeiras já podiam ser encontradas na esplanada do Café Lisboa, na Avenida da Liberdade.

A Câmara Municipal de Lisboa chegou a criar uma norma para obrigar os comerciantes a adotarem a Cadeira Gonçalo, ao mesmo tempo que eram abolidas as cadeiras plásticas existentes.

No entanto, o maior desafio da ARCALO foi equipar todo o recinto da EXPO 98 com cadeiras GONÇALO. Para fazer as 9.000 cadeiras encomendadas, a fábrica foi obrigada a mudar-se de ALGÉS para a zona do Cartaxo.

Da ARCALO, para além de saírem cadeiras para todo o país, também já foram fornecidas para diferentes países como Holanda, Áustria, Espanha, Bélgica, Alemanha e em França podemos encontrar cadeiras Gonçalo na Ópera de Paris.

É uma cadeira que está presente em muitos Museus de design e que nos devemos orgulhar, apreciar, e sentar - é muito simples, muito bela e muito cómoda.

Em paralelo com a história de cadeira Gonçalo, há uma outra interessante.

Manuel Caldas, atual dono da fábrica, nasceu na mesma rua onde esta cadeira foi criada e somente com 17 anos começou a trabalhar na ARCALO. Depois de um período emigrado, regressa a Portugal e ao aperceber-se que a ARCALO corria o risco de encerrar definitivamente, decidiu recuperá-la, tendo apostado na cadeira GONÇALO.

As primeiras cadeiras Gonçalo que comprei foram ainda na original fábrica em Algés, tendo-me mantido fiel ao longo de muitos anos, mesmo depois de se terem transferido para o Cartaxo.

António Acciaioli Campos