Cardus Edição 111, julho 2022



SELOS, essa coisa admirável!


Esta série de selos foi emitida pelos correios da Eslovénia em 27 de maio do corrente. O tema são as profissões desprotegidas ou esquecidas.

De acordo com Metoda Dodič Fikfak, chefe do Instituto Clínico de Medicina do Trabalho, Trânsito e Desporto e Tanja Urdih Lazar, diretora do Centro de Promoção da Saúde, que assinam a pagela desta emissão, as profissões representadas nos selos estão desprotegidas do ponto de vista de saúde e segurança no trabalho e não são tidas em conta na hora de introduzir medidas preventivas. Também foram as mais afetadas nos dois anos de pandemia que vivemos recentemente.

Em Portugal as coisas não devem ser muito diferentes.

Quais são então essas profissões:





Profissões Esquecidas


Trabalhos pesados ao ar livre

As profissões que envolvem trabalho manual pesado ao ar livre (por exemplo, trabalhadores da construção civil, construtores de estradas, trabalhadores florestais) estão desprotegidas do ponto de vista de lesões, exposição a substâncias químicas nocivas, condições climáticas adversas e formas precárias de trabalho. 

Trabalham ao sábado, os salários são baixos, grande parte dos trabalhadores são clandestinos que se sujeitam a tudo para poderem sobreviver.

Música e Artes Cénicas

As ocupações na música e nas artes cénicas (por exemplo, músicos, atores, dançarinos) estão desprotegidas do ponto de vista dos riscos psicossociais (por exemplo, assédio e violência no local de trabalho, ambiente competitivo), uso de substâncias psicoativas, horários irregulares, lesões em trabalho, formas precárias de trabalho e mobilidade limitada para outras ocupações. 

Nesta área há muita competição e grandes diferenças de salários. Há um vale tudo nas carreiras, ouço dizer que em muitos casos só por caminhos tortuosos se consegue chegar a determinado lugar.

Profissionais da Saúde

As profissões que envolvem a proteção da vida e da saúde (por exemplo, pessoal médico, trabalhadores da saúde e da assistência social, pessoal da proteção civil) estão desprotegidas do ponto de vista das condições especiais de trabalho, da necessidade de adaptação rápida à organização do trabalho e à obrigação de assumir encargos adicionais, especialmente em caso de crises de saúde.

Ninguém arriscou tanto na fase pandémica como os profissionais da saúde.

Educação

As ocupações na educação estão desprotegidas do ponto de vista dos riscos psicossociais decorrentes da dificuldade de alcançar um equilíbrio entre os padrões e normas prescritos e as expectativas de alunos e pais. Dificuldades adicionais durante a pandemia de coronavírus foram causadas pelo ensino online, a introdução de novos métodos de ensino e o uso de novas tecnologias. 

Não é fácil dar aulas. A vida do professor está muito facilitada em termos de preparação da matéria, mas para manter uma sala de aula com um mínimo de estabilidade e respeito já não há preparação possível.

 

Motoristas

Os condutores de veículos de mercadorias e de passageiros e responsáveis por entregas estão desprotegidos do ponto de vista da segurança rodoviária própria e dos outros condutores, superação de obstáculos à condução (por exemplo, restrições nas passagens de fronteira, obras rodoviárias), pressões de tempo e, no caso de transporte de passageiros, responsabilidade pela segurança de terceiros. 

Não é fácil ser motorista de autocarros de passageiros nomeadamente nas carreiras na periferia de Lisboa.