Cardus Edição 110, junho 2022
Este conjunto de três selos foram emitidos pelos CTT em 30 de março do corrente. Compõem a série comemorativa do centenário da primeira travessia aérea do Atlântico Sul realizada no ano de 1922 por Gago Coutinho e Sacadura Cabral.
Este feito aconteceu numa altura em que pelo mundo fora todos os países queriam ser os primeiros em qualquer coisa. Portugal não fugiu à regra e assim aproveitando o facto de o Brasil ir comemorar os seus cem anos de independência alguém pensou em ligar Portugal ao Brasil por via aérea, o que até à data ainda ninguém tinha feito.
A epopeia levou três anos a ser preparada (onde se incluiu uma viagem de teste à Madeira), e os heróis que a realizaram foram, como toda a gente sabe, Gago Coutinho (navegador) e Sacadura Cabral (piloto). Não pegaram num hidroavião, levantaram voo em Lisboa e amararam junto à costa do Brasil, como eu pensava. Não foi assim tão direto. A viagem foi feita em três etapas, com três aviões, durou 69 dias num total de 62 horas e 26 minutos de voo, o que dá cerca de três dias mais meia hora. Até atingirem o Rio de Janeiro onde foram recebidos como heróis, os dois homens passaram por tudo, desde esperas por reparações e mesmo por outros aviões, amaragens com mar agitado, viram o seu avião afundar-se lentamente, fizeram reparações no alto mar, e estiveram oito horas perdidos no mar alto sem qualquer meio de comunicação à disposição, felizmente sendo salvos por um cargueiro inglês que por sorte se encontrava na zona.
A parte mais eficiente da travessia foi a navegação, inédita na época, tendo para esse efeito Gago Coutinho inventado o “sextante de horizonte artificial” uma adaptação à aviação do sextante usado na marinha. Com este dispositivo foi possível seguir escrupulosamente a rota planeada, e atingir com precisão os pontos de reabastecimento, como por exemplo o arquipélago de São Pedro e São Paulo, um conjunto de pequenos ilhéus isolados no meio do Atlântico.
Após a proeza os dois heróis foram sucessivamente homenageados primeiro no Brasil depois em Portugal, aqui com os Ingleses a valorizarem a resistência dos seus aviões e os portugueses a coragem e audácia dos dois conterrâneos.
Há alguns vídeos na internet sobre este acontecimento. Da pesquisa que fiz escolhi o que segue abaixo. Foi realizado cá, por uma equipa do Brasil. Numa linguagem clara e de sabor tropical ficamos a saber muito mais sobre a 1ª travessia aérea do Atlântico Sul.