Cardus Edição 105, janeiro 2022



SELOS, essa coisa admirável!







Árvores centenárias Suíças


Por curiosidade, e porque esta série de selos fala-nos de árvores com algumas centenas de anos, fui ao Google saber qual é o animal com a maior esperança de vida. Pois bem, parece que existem muitos (não consegui precisar quantos), que podem atingir uma longevidade superior à do homem. Alguns são de grande porte (baleias e tartarugas) outros bem mais pequenos (medusas). E um dos pequenos, com cerca de 2 cm, a Água-Viva – Turritopsis nutricula é mesmo imortal. Isso mesmo, imortal! Desenvolveu um processo de regeneração de células que lhe permite, em tempo oportuno, inverter o processo de envelhecimento e passar ao rejuvenescimento. Transpondo para os humanos, parece-me ser um processo de vida em que em vez de darmos o lugar a outros o damos a nós próprios. Será que um dia também vamos ser imortais? E que as consciências de cada um que, ao que me dizem, quando o corpo morre marcham para um lugar onde outras as esperam, pura e simplesmente esquecem e voltam a aprender?

Algumas árvores também têm longevidades grandes. Como não saem do mesmo lugar apenas lhes assiste o direito de observar o que se passa à sua volta. E veem criaturas que aparecem, crescem e desparecem umas atrás das outras. E todas elas tiraram da árvore qualquer coisa: a sombra, os frutos, as folhas, a lenha …

Os suíços consideram as suas árvores centenárias como monumentos. Estão identificadas e protegidas como qualquer outro património nacional. A presente emissão de selos (emitida a xxx) divulga quatro desses monumentos:

O Pinheiro-larício mostrado no selo de 85 cêntimos tem a bonita idade de 900 anos e vive em Valais, um pouco abaixo de Dent de Nendaz uma estância turística da Suíça a uma altitude de cerca de 2.000 metros. A Wikipédia diz-me que o pinheiro-larício é uma fonte importante de madeira na Europa e que em Portugal é conhecido como pinheiro-negro ou pinheiro-da-áustria.

O carvalho no selo de 1 franco não é tão antigo. Está localizado ao sul de Delsberg e é chamado de “Chêne des Bosses” - provavelmente por causa dos muitos nós salientes que apresenta. A árvore tem cerca de 430 anos e o tronco tem na base um perímetro de nove metros. Apresenta um porte distinto típico dos carvalhos solitários.

O tronco do plátano do selo de 150 cêntimos tem um diâmetro de dez metros na base e está localizado em Stanserhorn, também um grande destino turístico na Suiça, a uma altitude de 1200 metros. Apesar do terreno não ser o mais propício para o seu desenvolvimento tem mais de quinhentos anos de idade.

O selo de dois francos apresenta um pinheiro-manso particularmente robusto que se encontra há 450 anos numa pequena colina, a cerca de 2.000 metros acima do nível do mar, com vista para a face norte do Eiger. Os pinheiros mansos suíços produzem uma seiva viscosa que os protege das baixas temperaturas.

Os selos foram desenhados por Michel Brunner que para além designer e fotógrafo é um especialista em árvores, fundador do movimento suíço pro arbore que pretende realizar um inventário de árvores centenárias. As imagens dos selos estão intencionalmente simplificadas e pouco coloridas de modo a destacar as caraterísticas de cada árvore.

Em Portugal também há algum culto de árvores antigas mais concentrado em oliveiras milenárias. Conheço uma com a bonita idade de 3350 anos (Cascalhos, perto de Abrantes) e já ouvi falar em mais duas, uma em Loures e outra em Reguengos. Alguém gostaria de viver mais de 3000 anos?