Cardus Edição 114, outubro 2022


VISITAR MUSEUS FAZ BEM À SAÚDE…

António Acciaioli Campos

Nota: texto elaborado com base na rubrica diária que o autor mantém na Rádio Amália: “Sei de um rio, sei de um Museu.”



MUSEU DO AZULEJO


Azulejo é uma palavra que vem do árabe. A arte da azulejaria criou raízes na Península Ibérica por influência dos árabes que para as terras conquistadas trouxeram os desconhecidos mosaicos, com o objetivo de ornamentar as paredes dos seus palácios, conferindo-lhes brilho e ostentação através de um jogo geométrico complexo.

O estilo fascinou espanhóis e portugueses e, os artesãos da ibéria, meteram mãos à obra pegando na técnica mourisca, simplificando-a e adaptando os padrões ao gosto ocidental.

Os primeiros exemplares usados em Portugal, os Hispano Mouriscos, serviram para revestir paredes de palácios e igrejas. Cerca de setenta anos mais tarde, em 1560, começaram a surgir em Lisboa oficinas de olaria que produziam azulejos segundo a técnica de faiança, importada de Itália.

Para a produção de azulejos foram utilizadas diferentes técnicas das quais passamos, seguidamente, a referir algumas das mais importantes:

Para podermos apreciar uma belíssima coleção de azulejos, podemos e devemos visitar um dos mais belos museus de Portugal - O Museu Nacional do Azulejo que fica em Xabregas. Seja pela sua coleção singular, seja pela distinta expressão artística da cultura portuguesa ou, ainda, pelo edifício único onde está instalado, o antigo convento da Madre de Deus, fundado em 1509 pela rainha D. Leonor, é um Museu que não devemos deixar de visitar.

As coleções deste Museu permitem-nos viajar pela história do azulejo desde o século XV até aos dias de hoje, sendo possível também visitar muitas das áreas do convento revestidas com painéis de azulejos, como o claustro ou o retábulo de Nossa Senhora da Vida,  que é considerado a primeira grande obra de azulejaria portuguesa do século XVI e que resistiu ao terremoto de 1755.

Numa das galerias do piso superior do Museu Nacional do Azulejo encontramos um painel com 23 metros de comprimento, com mais de 1.000 azulejos,  que retratam Lisboa antes do terremoto de 1755.

Podemos, ainda, apreciar azulejos sem ter que entrar num Museu… pois muitos e belos exemplos existem no espaço público, tais como: a Estação de São Bento, no Porto, a Igreja de Nossa Senhora dos Remédios em Lamego, o Convento de Santa Cruz no Buçaco, o Convento de Cristo em Tomar e na zona da Grande Lisboa, a Capela de São Roque, o Convento da Graça, o Convento de São Vicente de Fora, o Palácio Nacional de Queluz ou mesmo, no Metropolitano de Lisboa.

António Acciaioli Campos