Cardus Edição 112, agosto 2022
Amália Rodrigues
Atriz, fadista, foi uma das mais brilhantes cantoras do século XX. A sua contribuição para a música portuguesa foi marcante, pela voz, pela forma como elevou o fado como canção erudita, bem como, pela introdução de importantes compositores, como Frederico Valério, Alberto Janes ou Alain Oulman ou, ainda, poetas consagrados como Luís de Camões, David Mourão Ferreira, Pedro Homem de Mello, José Carlos Ary dos Santos, Alexandre O'Neill e Manuel Alegre.
Amália Rodrigues, atuou em centenas de palcos em todo o mundo sendo um dos mais marcantes, o Olympia de Paris, em 1956, a convite do empresário Bruno Coquatrix. Estreou-se internacionalmente, naquela casa de espetáculos onde alcançou, ao longo de muitos anos, grande êxito.
Somente em 1985 apresentou o seu primeiro concerto individual em Portugal, no Coliseu dos Recreios de Lisboa, o qual será repetido, poucos dias depois, no Coliseu do Porto.
Muito se deveu ao trabalho de Amália Rodrigues, que o Fado fosse declarado pela UNESCO, como Património Cultural Imaterial da Humanidade, em 2022.
Estamos em maio de 2018 e Amália faria 100 anos em 2020, quando me lembrei de propor à Rádio Amália produzir uma rubrica diária que tivesse por base histórias de vida de Amália Rodrigues e a que viria a intitular - “A Caminho do Centenário”.
Foi uma experiência gratificante, fiquei a admirar ainda mais Amália Rodrigues pela sua voz, pelo que tinha feito pela música portuguesa, pela divulgação da poesia e pelo orgulho dos portugueses.
Após 514 rúbricas o Caminho parou, precisamente no dia 23 de julho de 2020, dia em que a Amália faria 100 anos. Ficou, no entanto, uma dúvida sobre o que fazer com este trabalho de pesquisa e divulgação que tanto prazer tinha tido a realizar. Desafiei, então, um conjunto de artistas, a desenharem histórias com base no trabalho que tinha feito na Rádio.
Eduardo Salavisa, Teresa Ruivo, José Louro, Rosário Felix, Filipe Leal de Faria, João Catarino e Pedro Cabral, aceitaram o desafio e, após longos meses de intensa criatividade artística, as obras ficaram disponíveis para serem, agora, apresentadas.
O belo espaço da Casa da Avenida, em Setúbal, dinamizado por uma ternurenta mulher da cultura, Maria João Frade, foi o local mágico escolhido para esta exposição, e como admirador tardio de Amália Rodrigues, esta exposição é uma forma de continuação do encantamento que adquiri e que todos temos pela sua obra.
Obrigado, Amália,
António Acciaioli Campos