Cardus Edição 110, junho 2022


VISITAR MUSEUS FAZ BEM À SAÚDE…

António Acciaioli Campos

Nota: texto elaborado com base na rubrica diária que o autor mantém na Rádio Amália: “Sei de um rio, sei de um Museu.”



MUSEUS EM MARROCOS



Após quase três anos com as fronteiras terrestes encerradas, finalmente regressei a Marrocos, um país e um povo que amo, que visitei dezenas de vezes e onde podemos encontrar um mundo e uma cultura diferentes que devemos admirar e respeitar.

Mal entramos em Tânger, constatamos que é difícil separar a ficção da realidade, nesta colorida cidade, com tantas histórias e coisas novas para descobrir. Foi no meio do labirinto da medina de Tânger que Paul Bowles, escritor americano, viveu por mais de 60 anos. O seu livro, depois transformado em filme - “O Céu que nos protege“, retrata essa vivência.

O Instituto da Legação Americana, localizado na Medina de Tânger, um centro cultural especializado na língua inglesa e árabe, constitui-se por um museu e uma biblioteca, com intensa atividade, onde encontramos uma ala dedicada ao escritor Paul Bowles, três salas com muita informação sobre os seus projetos, nomeadamente, os relacionados com a preservação da música tradicional Marroquina.

Em Fez na medina, parte antiga da cidade onde vive mais de um milhão de habitantes, existe um emaranhado de ruas, ruelas e becos que é um autêntico labirinto, no meio deste enleado de caminhos, descobrimos o Museu da Madeira, instalado num edifício imponente construído no início do século XVIII que foi declarado Patrimônio da Humanidade pela UNESCO, tendo sido objeto de um importante trabalho de restauro que fez parte do programa de conservação da própria medina.

No interior do Museu e ao longo dos três andares, encontramos objetos tradicionais de madeira, como ferramentas, móveis, instrumentos musicais e, entre muitos outros as portas da Madraça Bou Inania.

Já em Marrakech, uma cidade destino para muito turistas, fazemos uma visita atenta. Para além da famosa praça Jamaa el Fna, a mais movimentada da cidade, com vários espetáculos de saltimbancos, acrobatas, encantadores de serpentes, faquires, engolidores de espadas, curandeiros, músicos, dançarinos e contadores de histórias. À noite, as barracas de comida típica que dominam praça. Na Medina, podemos encontrar vários Museus, como por exemplo o Museu da Mulher ou o Museu da Música.

No Museu da Música de Marrakech, para além dos instrumentos musicais e da música, podemos apreciar a bela casa do século XVII, declarada Patrimônio da Humanidade pela UNESCO e que foi objeto de um importante trabalho de conservação que integrou o próprio projeto de reabilitação da Medina. Apresenta-nos a diversidade da música em Marrocos, as suas múltiplas heranças andaluzas, místicas, berberes e africanas através de uma verdadeira aventura visual e auditiva.

Obrigatoriamente, devemos visitar o Jardim Majorelle. Em 1919, o pintor francês Jacques Majorelle instalou-se na Medina de Marrakech. Apaixonado por Botânica criou um jardim inspirado nos jardins islâmicos, com a luxúria dum jardim tropical que alguns descrevem como - "um jardim impressionista" ou "uma catedral de formas e de cores, sendo composto por plantas exóticas e de espécies raras que o pintor trouxe das suas viagens no mundo inteiro. Catos, yuccas, nenúfares, lótus, jasmins, buganvílias, palmeiras, coqueiros, bananeiras, alfarrobeiras, agaves, ciprestes, entre muitas outras espécies, compõem este pequeno paraíso pleno de jogos de água de recantos cheios de cor. Em 1937 o artista criou o "azul Majorelle", um azul ultramar/cobalto, simultaneamente, intenso e claro, com que pinta as paredes da sua vivenda e depois todo o edificado do jardim, compondo, assim, um quadro vivo.

No Jardim Majorelle, podemos e devemos visitar o belo Museu de Yves Saint Laurent dedicado à obra deste famoso estilista que foi um dos nomes mais significativos da alta-costura do século XX. Nascido na Argélia, Yves Saint Laurent utilizou as cores e as formas de Marrocos nas roupas que criava e neste Museu, podemos apreciar muitas das obras de várias fases do estilista com criações ousadas, exóticas, sexys e impressionantes, quebrando regras com exageros, cores e extravagâncias, em trajes, vários adornos como anéis, turbantes, colares, pulseiras e adereços nos próprios vestidos, tentando sempre valorizar o papel da mulher.

No Museu, existem várias imagens e quadros do estilista e das suas criações, bem como, amostras de tecidos, exposição de peças de alta costura, nomeadamente, o famoso VESTIDO MONDRIAN, um dos mais copiados do mundo.

Finalmente, visitemos também neste belo Jardim, o Museu Berbere dedicado à cultura deste povo e onde podemos apreciar trajes típicos, joias, tapetes, armas, bem como, artefactos.

E nunca é demais relembrar que antes de partirmos em viagem, seja para Portugal ou para o estrangeiro, devemos pesquisar e identificar quais os museus a visitar, até porque “visitar museus faz bem à saúde”.

António Acciaioli Campos