Cardus Edição 69, 01-12-2019

Emissão conjunta Gibraltar - Luxemburgo

Estes dois selos pertencem a uma emissão conjunta das autoridades postais do Luxemburgo e de Gibraltar. Foram emitidos em doze de novembro do corrente sob o tema comum “Túneis defensivos”. O selo de Gibraltar apresenta uma vista dos Túneis do Grande Cerco e o do Luxemburgo das casamatas de Bock.

Entra-se em Gibraltar por uma rua muito pequena a meio da qual estão colocados uns semáforos. Quem tem de esperar pelo verde provavelmente acha estranho porque, embora veja uma rua transversal um pouco mais à frente, não vê qualquer movimento de carros. A espera é bastante mais longa que o normal, mas tudo se explica quando repentinamente se vê o focinho dum avião a aparecer pela direita e passar por completo à nossa frente até se abrir o tão esperado verde. O espaço não é muito, a avenida principal é partilhada por carros e aviões. Não sei se ainda é assim, há vinte anos era, tive esta agradável surpresa numa pequena viagem ao sul de Espanha. Já tinha tido uma uns metros atrás, quando um espanhol fardado de polícia me mandou parar e disse, num inglês perfeito, o que é raro senão impossível em toda a Espanha: “Passports, please?”

 

Túneis do Grande Cerco

Gibraltar é um rochedo, também é conhecido por este nome. O rochedo está todo esburacado, os túneis do grande cerco, são uma pequena parte dos muitos túneis que existem na rocha. Foram construídos quando a Espanha e a França tentaram ocupar o território (1779 – 1783), o que só podiam fazer por terra e mesmo assim só pelo norte e noroeste uma vez que as encostas íngremes do rochedo não permitiam o acesso por mais lado nenhum. Aos britânicos bastou apenas colocar canhões na rocha em frente ao pequeno istmo pantanoso que dá acesso ao rochedo (onde agora é a rua principal e campo de aviação) e cobrir também o acesso menos íngreme a noroeste. Qualquer tentativa de assalto da infantaria era rapidamente anulada pela barreira de fogo dos canhões. Havia, contudo, um ângulo morto a noroeste que a artilharia não cobria, devido à dificuldade em colocar um canhão num ponto da rocha de difícil ou impossível acesso. O que não é possível de atingir por fora, pode ser atingido por dentro, foi assim que um inglês desenrascado pensou e realizou, o túnel foi construído, o canhão (ou os canhões) foi colocado no local e assim toda a linha da frente de ataque ao rochedo ficou completamente coberta. É este o túnel a que o selo se refere, que de alguma forma deve ter contribuído para que o grande cerco desse em nada, ainda hoje Gibraltar pertence à Grã-Bretanha, para engulho dos espanhóis e satisfação dos Gibraltinos que não querem nada com os vizinhos, como o declararam num plebiscito realizado há tempos.

 

 Casamatas de Bock

Os túneis do Luxemburgo, são as conhecidas casamatas de Bock, um conjunto de buracos escavados na rocha no promontório de Bock da cidade capital.

As casamatas têm uma história de mais de mil anos, por elas passaram, borgonheses, franceses, austríacos, alemães e até os espanhóis por lá andaram no período em que foram donos da terra. As casamatas, são hoje em dia uma atração turística no Luxemburgo, há quem lhes chame o Gibraltar do Norte, pelas semelhanças e objetivos dos dois monumentos. São atualmente constituídas por uma rede de 17 km de túneis, escadas e salões, que penetram até cerca de quarenta metros na rocha. Os túneis à face da rocha proporcionam boas vistas da cidade do Luxemburgo.

As casamatas pertenciam ao conjunto de fortalezas do Bock do Luxemburgo que em tempos históricos fizeram da cidade uma das mais protegidas do Mundo. Nas casamatas existiam alojamentos para soldados e respetivos cavalos e também oficinas, cozinhas, padarias, matadouros e tudo o que fosse necessário para se resistir a cercos prolongados, incluindo um poço de água com 47 metros de profundidade.  Por razões políticas cerca de 90% deste conjunto de fortificações foi destruído, restam os 17 km de túneis, que se safaram do martelo por a sua destruição implicar a demolição de alguns edifícios importantes da cidade. Ainda assim há espaço para abrigar 35000 pessoas o que pode ser importante em caso de bombardeamento aéreo.

As casamatas do Bock estão abertas ao público de março a outubro. Quem sofre de claustrofobia, deve evitar os túneis inferiores, assim se lê em alguns blogs de viagens disponíveis na internet.