Cardus Edição 64, 15-09-2019
A presente série foi emitida pelos CTT em 22 de julho de 2016 sob o tema das Vinhas Velhas. Os selos reproduzem imagens fotográficas do ciclo da produção do vinho registadas pela máquina fotográfica de Anabela Trindade.
Há uma grande cultura de vinho em Portugal pelo que o rótulo Vinhas Velhas deve ser claro para muita gente. Não o era para mim que só recentemente o li numa garrafa comprada, aproveitando uma promoção de 65% num super da praça, uma oportunidade para comprar uma garrafa dum preço exorbitante a um mais acessível, mesmo assim ainda exorbitante para o meu gosto.
Bem, o que é que são então vinhas velhas, para aquela pequena percentagem de pessoas, que ainda não as conhecem tal como eu. Foi fácil documentar-me, bastou-me ler a pagela informativa da emissão dos selos, um texto romântico assinado por Luís Rodrigues, autodenominado cronista de vinhos. O texto lê-se muito bem, aqui deixo um pequeno resumo para a minoria de que falei.
Vinhas velhas são, como o próprio nome indica, vinhas com alguma idade, para cima dos sessenta anos. Algumas têm mais de cem anos, mais é difícil, porque a praga da filoxera matou tudo ou quase tudo o que era vinha na Europa no fim do século XIX. As vinhas velhas resultam dum processo maturado ao longo do tempo, com mistura de castas, adaptações ao terreno e costumes locais. As suas raízes vão buscar ingredientes a grande profundidade, pelo que são muito resistentes, de certo modo insensíveis aos rigores do clima. O proprietário típico duma vinha velha, recebeu-a por herança, quer passá-la aos seguintes. Não está muito preocupado com a produção, regra geral diminuta, mas sim com a sua preservação e legado. Sabe que se a vinha morrer é praticamente impossível repô-la, pelo que há que a manter, cuidar, estudar, replicar, duplicar, construir reservas, apoios e suportes. O prazer do proprietário está no orgulho da sua produção própria, do sabor do seu vinho, ao qual apenas a família, quiçá amigos ou favorecidos têm acesso.
Claro que o vinho das vinhas velhas também é comercializado, ou pelo menos com o rótulo, a prova é a garrafa que comprei. Não me posso adiantar muito sobre o tema, apenas dizer que o vinho não era mau, notava-se a diferença para um vinho normal e corrente, àquele preço acredito que todos os vinhos são pelo menos diferentes. Ao que li o valor das vinhas velhas não está em perigo, a legião de apaixonados pelos respetivos vinhos é cada vez maior, assim cresça também a esperança média de vida das vinhas.