Cardus Edição 53, 01-04-2019

Aurora Borealis

O selo da figura foi emitido no passado dia oito de março pela administração postal de Åland, um território autónomo da Finlândia, com a singularidade de ter o sueco como língua oficial e falada.

O selo reproduz uma foto de Ingmar Eriksson, tirada no passado mês de dezembro, perto da fortaleza de Bomarsund que aparece na foto. O fotógrafo é amador, há mais de quarenta anos que se dedica à fotografia, passa muitas noites por ano a olhar para o céu.

Quem já viu auroras boreais (ou polares) diz que é um espetáculo de cor e luz único. É um fenómeno ótico, resultante do impacto de partículas de vento solar nas camadas altas da atmosfera, junto aos polos, para onde as partículas são encaminhadas pelo campo magnético terreste. As formas assumidas e as cores vivas (com base no verde e vermelho) configuram quadros que, em noites de sorte, podem ser de extraordinária beleza. Infelizmente estes fenómenos não passam em Portugal, é exclusivo das regiões polares, contudo, quem tiver dinheiro e vontade, pode sempre adquirir um pacote turístico para ver auroras, quer boreais quer austrais, existe muita oferta nesta área. Segundo a Wikipédia, os melhores pontos (chamados pontos de auge) para a observação de auroras encontram-se no Canadá (auroras boreais) e na ilha da Tasmânia ou sul da Nova Zelândia (auroras austrais).

As auroras boreais são, como disse, um espetáculo de cor e luz, mas sem som. Há quem afirme que ele existe e o consegue ouvir mas, considerando a distância a que o espetáculo é produzido (uma centena de quilómetros), não parece que isso seja possível. Contudo, a mãe natureza é pródiga em espetáculos de todo o tipo, pelo que quem gostar de som a sério, só tem que se meter debaixo duma grande trovoada, ou se for pequeno, melhor mesmo é debaixo da cama. Uma forte trovoada, coisa que infelizmente em Portugal também não existe, é um espetáculo de luz e som, que não nos deixa indiferentes, nomeadamente em noites escuras. Felizmente andei por África quando criança, assisti a grandes trovoadas noturnas, um fogo de artifício natural, os relâmpagos e logo a seguir o som, o som forte, sonoro, alto, muito alto mesmo, do trovão, um som único, wagneriano, que ninguém consegue reproduzir nem em qualidade nem em potência, um som que nos dá a sensação do céu a cair, estrondosamente, sobre a terra.