Cardus Edição 51, 01-03-2019

Erwin Wurm – Fat House

O selo acima foi emitido pelos Correios da Áustria em treze de fevereiro do ano corrente. O selo reproduz uma peça muito conhecida do escultor Erwin Wurm denominada “Casa Gorda”. O selo faz parte da série “Arte Contemporânea na Áustria”.

Erwin Wurm nasceu em 1954, estudou na Academia de Artes Plásticas e na Universidade de Artes Aplicadas em Viena onde vive e trabalha. Além de escultura tem também trabalhos em vídeo e fotografia. Os seus trabalhos estão expostos em muitos museus e galerias onde se incluem o Museum of Modern Art in New York e o Tate Modern em Londres.

A “casa gorda” está emprestada ao museu Belvedere de Viena e está correntemente exposta no parque de Esculturas da Áustria em OfPremstätten, ao sul de Graz. Duas outras cópias podem ser vistas no Japão (Towada Art Center, Aomori) e nos Estados Unidos (West Collection, Philadelphia, USA).

Erwin Wurm não faz só casas gordas, engorda também roupas, carros e até alimentos. Basta ir ao Google pesquisar por Erwin Wurm e imediatamente somos presenteados com imagens do quotidiano completamente distorcidas ou deformadas pela enorme massa em que estão transformadas. Percebo pouco de arte, tudo o que vai para além do aspeto visual é-me de interpretação muito difícil, o mesmo sucede com as eventuais mensagens que pode conter. Mas, nas esculturas gordas de Erwin Wurm aqui a mensagem veio logo ter comigo, imediatamente me apercebi que o artista critica fortemente o consumismo característico da sociedade mercantil moderna. Há gordura por todo o lado e não é só banha, esta já identificada e conhecida, são também todas as outras “gorduras”, como por exemplo, do prazer, do lazer, do fácil e do básico. Uma sociedade gorda torna-se pesada, lenta, derreada, diria mesmo fragilizada e indefesa, é para isto que Erwin chama a atenção.

Um amante de pesca submarina disse-me uma vez que no mundo das grutas aquáticas existe um peixe pequeno que adora comer um peixe que é muito maior que ele. Os peixes têm nome, apenas não me lembro, vou chamar-lhes peixe grande e peixe pequeno. O peixe grande, respeitável, passa a vida comodamente instalado na sua gruta, comendo a comida que o peixe pequeno lhe traz regularmente. O peixe grande engorda, engorda, um dia já não consegue sair da gruta, nem tão pouco mexer-se. O peixe pequeno entra então na gruta, agora já não traz comida, pelo contrário, vem à procura dela.

Será que a sociedade de consumo que todos os dias nos engorda, um dia nos vai comer?