Cardus Edição 49, 01-02-2019
Estes quatro selos foram postos em circulação a 16.01.2019 pelos correios da Nova Zelândia. Foram desenhados por Asiaworks, Auckland, New Zealand e comemoram o início do novo Ano do calendário lunar chinês, que tem início no próximo dia 5 de fevereiro.
A figura central dos selos é o porco a quem é dedicado o Ano Lunar que agora se inicia. Nos selos superiores o porco aparece ligado a duas artes seculares ainda hoje bem presentes na cultura chinesa nomeadamente nos festejos do Ano Novo: a caligrafia (hanzi) e as figuras de papel (jianzhi). Penso que porco se escreve como na caligrafia do selo da esquerda, uma figura de papel representando o animal está no selo da direita. Os selos inferiores são mais próximos da Nova Zelândia. O da esquerda representa um porco Arapawa, uma raça de porcos pequenos, simpáticos e inofensivos que existem na ilha de Arapaoa, cujas origens ainda hoje são tema de grande controvérsia. O da direita refere-se à estrada do porco, a autoestrada 85 na Ilha do Sul da Nova Zelândia, conhecida por esse nome desde os tempos da corrida do ouro (década de 1880) em que os porcos selvagens conviviam com os cavalos dos mineiros trocando mimos como o esfregar dos narizes uns com os outros.
Não é só a Nova Zelândia que emite selos comemorativos do início do novo Ano lunar. O Canadá, Brasil, EUA e muitos mais, para além da China, produzem regularmente emissões sobre o tema, uma homenagem às comunidades orientais que representam uma grande fatia da população. Os pequenos países ou regiões autónomas aproveitam também para emitir selos sobre esta temática, têm muita procura, são uma boa fonte de rendimento para os correios.
Conheço muito pouco ou quase nada sobre o calendário lunar e respetivo zodíaco, vejam o que consegui descobrir a navegar umas horitas na internet:
O calendário lunar rege-se pela lua, tem início com a primeira lua nova que este ano cai no próximo dia cinco de fevereiro. O calendário é muito usado no oriente, principalmente na China.
Os anos do calendário lunar têm o nome dos doze animais, o rato, o boi, o tigre, o coelho, o dragão, a serpente, o cavalo, o carneiro, o macaco, o galo, o cão e o porco, que acorreram, por esta ordem, ao convite de Buda para uma festa de Ano Novo. Como recompensa ganharam um ano cada um.
As características de cada pessoa estão definidas pelo ano em que nasce. Por exemplo, os nascidos em anos do porco são corajosos, independentes, temperamentais, não gostam de compromissos, solitários, têm poucos amigos, mas os que têm são para a vida; possuem uma grande força interior e resistência; nos negócios, são muito meticulosos, característica que os pode tornar bem sucedidos financeiramente; por outro lado, são ingénuos e crédulos, o que os torna presa fácil de vigaristas; o porco está sempre cercado por uma aura de mistério; naturalmente, exerce domínio sobre as outras pessoas, embora pouco fale e muito observe. São desconfiados e avessos a emoções fortes.
Quem tiver filhos este ano já sabe o que os espera.
Além dos animais existem ainda os elementos Metal, Madeira, Água, Fogo e Terra, que compõem o universo de acordo com a filosofia oriental. A cada ano está associado um animal e um elemento pelo que o ciclo completo do calendário lunar é de sessenta anos. Este ano vai ser, assim, o ano do Porco da Terra. Não é só o ano de nascimento que dita as características de cada um, os meses, dias e horas também são importantes. A hora de nascimento é particularmente rica em dados sobre a pessoa pelo que é muito difícil arrancar a um chinês a hora em que nasceu, não gostam muito de se dar a conhecer, o mistério é muito importante na cultura chinesa.
O início do novo ano lunar é celebrado publicamente no oriente e em qualquer sítio do planeta onde haja comunidades orientais com alguma dimensão. Na China, o mais representativo dos países que usam o calendário, as comemorações começam com a Lua Nova e terminam na lua cheia seguinte, quinze dias depois. Durante este período, as famílias juntam-se (comboios e estradas ficam completamente congestionados, tipo ida para o Algarve no início das férias dos anos 80) homenageiam os antepassados e recordam os falecidos mais recentes, trocam presentes e comem bolos tradicionais. Os presentes mais usuais para as crianças são em dinheiro, que é entregue em envelopes vermelhos fechados. Os envelopes não são abertos imediatamente, são colocados debaixo do travesseiro, para dar sorte e fortuna, e abertos sete dias depois. Quem não cumprir o prazo diz adeus à sorte e à fortuna. O vermelho não está só nos envelopes, está em todo o lado, nas vestes, nas decorações, em todo o lugar onde é necessário “afugentar as más energias e os maus espíritos”. Os festejos terminam com a Festa das Lanternas, adivinhem lá de que cor são.
Em Portugal tanto quanto sei não há festas do novo ano lunar, pelo menos publicamente. Estranho porque normalmente somos rápidos a importar costumes e tradições que nos cheiram a festa e folia.
Os “astrólogos” chineses também fazem previsões, alguns mais generosos publicam-nas em sites próprios na internet. Peguei num ao acaso, ao que li vamos ter um bom ano com muito amor e generosidade no ar, alegria de viver e prazer todos os dias. Melhor do que isto não há, vamos então aproveitar bem o ano, o próximo é o do rato, logo se vê o que nos calha.