Cardus Edição 47, 01-01-2019
O selo desta quinzena foi emitido pelos CTT em 7 de abril de 2016, integrado numa série sobre a Madeira. O selo reproduz o fogo de artificio da passagem de ano, considerado o melhor espetáculo pirotécnico do mundo, com assento no livro de records do Guinness.
Segundo o turismo da Madeira tudo começou no século XVII, quando a passagem de ano era assinalada com fogueiras que se acendiam, iluminando e preenchendo de cor e de brilho os lares madeirenses. Os foguetes foram introduzidos pela comunidade inglesa residente a que aderiram mais tarde as famílias mais abastadas da ilha, cuja concorrência crescente originou que o fogo de artifício se fosse tornando cada vez maior e mais vistoso.
Todos os anos o maior cartaz turístico da região bate records, este ano não deve ter fugido à regra, estava previsto o disparo de 174.632 peças. O material pirotécnico pesa 26 toneladas, das quais nove são de explosivos, durará oito minutos, toda a operação mobiliza 350 pessoas. Existem 38 postos de lançamento (31 no anfiteatro, 5 no mar e 2 na ilha de Porto Santo). Todo este aparato e espetáculo custa ao governo regional 1,3 milhões de euros, o que até não me parece muito, qualquer coisa como uma boa mansão a ir pelos ares.
O fogo de artificio na passagem de ano é uma tradição a nível mundial. A toda a hora há festas e fogo. Os mais famosos são o de Sydney na Austrália, a primeira passagem de ano, com o palco na casa da Ópera e na ponte do porto, o de Nova York no palco da Times Square, com uma bola a descer no edifício One Times Square, o de Londres à volta do Tamisa, o de Paris onde toda a gente acorre aos Champs-Elysées e ainda o de Edimburgo, na Escócia, em que o pano de fundo é o próprio castelo.
Por cá não é só o da Madeira, qualquer cidade, grande ou pequena, vila ou aldeia, tem o seu fogo de artifício, tanto maior quanto mais importante for a terra. Felizmente não estamos em época de fogos, em princípio o fogo é só no ar, não passa cá para baixo, não vamos assim lacrimejar a desgraça, como há uns meses de má memória. Vivemos uma época de diversão, de folia, ainda há dias tivemos o Natal, agora a passagem do ano, mais dois meses e temos aí o carnaval, digam-me lá se há melhor vida do que esta.